Enquanto isso, as pessoas pobres, da base, do chão da fábrica, observam os ilusionistas exibindo-se e tirando da cartola coelhinhos brancos. Observam os grandes feitos industriais, os carros e computadores e pensam: "esse mágico é bom pra caramba. Estudou pra caramba e agora faz a mágica com destreza. E eu que não sei fazer internet, videocassete, uns carro loco... atrasado eu to um pouco sim. É. Eu acho."
E o Zé fica convencido de que o rico é o mágico, de que são eles mesmos os responsáveis por todas as transformações.E vai pra casa pensando que, se fosse mágico, não tinha as mãos cheias de calos, não tinha que apertar parafuso, bater prego, varrer o chão, descascar o amendoim, o abacaxi, digitar nas teclas, guiar o carro, preparar o pão, apertar o botão...
Se fosse mágico, só teria calos na boca e nas partes. Porque defecar e comer é só o que fazem os mágicos, como os bebês.
E essa inveja se confunde com admiração, porque viver com magia, transformando coisas é o sonho do pobre; passa-se então a exaltar os poderosos que tanto fizeram até conquistarem seus postos.
Até que um dia o Zé acorda e percebe que a mágica era só ilusionismo. O Mr. MX revelou que era o pobre, de olhos tapados pelos capangas inimigos, quem fazia as transformações.
Percebeu que a mágica não existia – o que havia era trabalho – o seu trabalho – essa alquimia que separa o trigo e o transforma em pão.
Porque só o trabalho transforma uma coisa em outra. O mais é puro ilusionismo.
Du
