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segunda-feira, 2 de março de 2015

Diferenças


Em tempos de pouca água e muita chuva....

"Rico ganhou na justiça e não se fala mais nisso"



Caixa d´água é uma coisa interessante, né?
Num dia de muito calor, quando a gente sobe no telhado pra limpá-la, de repente se pega nadando. É cada mergulho de ponta! E cada apostada de corrida!
Como é útil uma caixa d’água num dia de muito calor!
Mas no inverno ela também é útil.
Lá em casa tem uma que é um jardim. Tem todo tipo de erva.
São 500 litros de pura floresta.
Já pensou se fosse de carne ou cerveja?

Rico num tem caixa d’água. Rico tem poço artesiano.
Rico num pode tranformar uma caixa d’água em jardim nem piscina.
Rico num precisa se preocupar com o gasto de água, pois ele tem sua própria água, seu próprio jardim e sua piscina – que é grandona, usa mais de 20 mil litros. Mas a água é dele mesmo!
Ou então, rouba do chão.
Ou então, ganha na justiça.
Então tá beleza, pois a justiça, como o próprio nome já diz, é justa.
Ou não.
Rico tem cerca elétrica que dá um puta tranco se você encostar nela. E acelera o coração.
Deve ser uma voltagem bem alta que ele paga por mês.
Ou então ele rouba do chão.

Outra coisa interessante é latinha de alumínio, que tem vida própria, num pára quieta num canto.
Todos a querem levar.
Quer dizer, o pobre, né?
Que por ser economicamente consciente não vacila. Recicla.
Cobre, então, é ouro. Tem gente que anda olhando pro chão à caça do dito cujo.

Rico num cata latinha, cobre, ferro véio, papelão.
Rico ganhou na justiça e não se fala mais nisso.
Ou então alguém tá mentindo.
Ou então tá roubando da terra...
E guardando num cofre na lua.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Soldado Sebastião



É tarde, muito tarde.
Na boca da noite
madrugada come
solta
seu guisado de formiga e de farinha.
Soldado Tião tem as chaves
e lidera sua tropa sem elite.

Soldado Tião e seu molho de chaves
Soldado Tião e seu quepe e uniforme
Soldado Tião e inda mais seu revólver.

- Desce o beco não, Tião.
Zé Povo tilinta na entrada.
- Quem mora aqui é teu pai,
tua mãe, tua prole
e o teu coleguinha de escola
e tua tia e teus irmão.

- Desce o beco não, Tião.
Outra voz ameaça e implora:
- Teus sobrinho tão dormindo
tuas tias já fizeram
o café. Teu tio Zé
já saiu pra trabalhar
e as irmãzinha tudo em casa
da patroa,
limpando o mundo
lavando a roupa
suja
preparando os melhores
almoços.

Mas Sebastião não sabe
que a noite se põe toda tarde
só pro nosso povo sonhar
e que às vezes é pesadelo
o tiro no espelho
acerta é o seu peito
perfura o silêncio
e acorda a manhã.

Mas ele não escutou.

E então desceu o beco
no fundo mais fundo sem jeito
para nunca mais voltar
Ficou lá estatelado
na porta da frente do barraco
do desesperado irmão
com a arma e as chaves na mão.

- Desce o beco não, Tião.









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quinta-feira, 22 de maio de 2014

É guerra!

Hoje aquele jornal tava de doer... é só luta de classe na parada.
É um tal de chamar nosso povo de vagal, de carrasco, criminoso e outras alcunhas gentis, que não acaba mais.
 Lógico, gente, fazer greve não é crime... crime é não ser pelego e recusar migalhas.
Aliás, segundo nosso prefeito, isso nem é mais crime... é guerra... de guerrilha.
De repente, meus vizinhos e vizinhas, meu professores e colegas, a até o povo que se acaba no Dapena virou guerrilheiro, viraram guerrilheiras...
Outro dia, você sabe que a contradição é
uma das marcas desse sistema, li no mesmo jornal o caríssimo Safatle citando um fulano de tal, o bambambam  Warren Buffett, que dizia assim: 

"Quem disse que não há luta de classe? Claro que há, e nós estamos vencendo". 
Caros editores, ilustríssimo prefeito, fiquem tranquilos...
Vocês ainda estão na vantagem.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Das contradições do capitalismo III: O Rolezinho e a luta de classes

O capitalismo fez de todos nós seres consumistas. Sua capacidade de inventar novas necessidades é absurda e, por se tratar de um ser social, todas as novas necessidades criadas, mais cedo ou mais tarde, se tornam básicas ao ser humano (somente o animal se contenta com alimento e o abrigo).

Assim, temos que superar este sistema econômico se quisermos que o consumismo desapareça, pois  este não se resume em usar Nike. Apesar de essa marcar ser um ótimo ícone para batermos no capitalismo, tem consumista para qualquer hora ou ocasião: tem o das roupas, o dos tênis, o dos livros, o dos teatros, cinemas, saraus, o consumista das viagens, o que não usa nike, vai trampá de bike, mas gosta de Paris e não morre sem ir a Machu Pichu. Tem o consumista de "cultura" - na verdade de espetáculos (e este muitas vezes é sensacionalista) -, o consumista de restaurantes, de acampamentos selvagens, de música, de esporte, de tecnologia.

Algumas pessoas acreditam que o sujeito que usa Nike e frequenta shopping é pura futilidade, e o mochileiro que não bebe coca cola seria o extremo oposto (pensamento que, como muitos, promove desunião na classe trabalhadora).

Nosso inimigo pode ser a Nike e a Coca Cola, mas não pode ser o pobre que usa sapatos dessa marca e bebe refrigerante. Em termos marxistas, não podemos simplesmente considerá-lo “alienado”, pois todos somos alienados do resultado do nosso trabalho.

Então, nesse momento em que os jovens pobres brasileiros insistem em realizar os famosos ROLEZINHOS, temos de tratá-los como o que são, isto é, filhos da classe trabalhadora, filhos da classe que gera valores, que constrói o país e o carrega nas costas sem ficar com nada. Não podemos criminalizar os pobres por quererem os produtos consumidos pelas classes média e rica, pois tudo pertence à classe trabalhadora. Ou pelo menos deveria pertencer, uma vez que o resultado daquilo que produzimos nos é roubado.

É tudo nosso, podemos quebrar ou queimar, porque é tudo nosso.

Os rolezinhos nada mais são do que mais uma expressão da luta de classes. Como disse Frantz Fanon, o colonizado quer dormir na cama do colonizador. E é por isso que o rico não dorme tranquilamente, sabe que o trabalhador e a trabalhadora, cedo ou tarde vão, com bases teóricas ou não, tomar de volta aquilo que construíram, aquilo que é seu.

 Acontece que quando nós, os trabalhadores e trabalhadoras, tomarmos nas mãos o destino da produção, em um sistema comunista, a Nike vai se tornar uma fábrica de calçados e estes voltarão a ter valor de uso. As coisas terão essência ao invés de aparência. Mas para isso temos que desbancar o rico do controle, e isso pode começar sim com uma ameaça espontânea, como os rolezinhos, por exemplo.

Assim, gostemos ou não, frequentemos ou não os shoppings, temos que lembrar que eles foram construídos e funcionam diariamente (inclusive sendo abastecidos) devido à exploração da classe trabalhadora. Desse modo, deveríamos poder dar ao shopping e à cidade como um todo o destino que desejarmos.

De nossa parte, o rumo que queremos é o comunista. É pra isso que trabalhamos.

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sábado, 18 de janeiro de 2014

Sobre o Conceito de História

textinho básico de Walter Benjamin. acessa lá pra ver o resto e salva no seu computador, pra reler quando precisar de um rumo....

http://www.rae.com.pt/wb2.pdf
 
Abaixo um trecho de Sobre o Conceito de História
 
"A luta de classes, que um historiador educado por Marx jamais perde de vista, é uma luta pelas coisas brutas e materiais, sem as quais não existem as refinadas e espirituais. Mas na luta de classes
essas coisas espirituais não podem ser representadas como despojos atribuídos ao vencedor. Elas se manifestam nessa luta sob a forma da confiança, da coragem, do humor, da astúcia, da firmeza, e agem de longe, do fundo dos tempos. Elas questionarão sempre cada vitória dos dominadores. Assim como as flores dirigem sua corola para o sol, o passado, graças a um misterioso heliotropismo, tenta dirigir-se para o sol que se levanta no céu da história. O materialismo histórico deve ficar atento a
essa transformação, a mais imperceptível de todas."

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O rico mágico e o pobre alquimista

As pessoas ricas se relacionam com o mundo como se fossem mágicas. Como se fossem dotadas de um poder sobrenatural. Ao se aproximarem de uma porta, por exemplo, esta se abre sem que tenha sido tocada ou acionada por qualquer tipo de controle remoto. O mesmo ocorre com as refeições. Ao longo do dia, sem tocar em nada, os ricos veem a transformação dos alimentos, de simples frutas a doces complexos.
Enquanto isso, as pessoas pobres, da base, do chão da fábrica, observam os ilusionistas exibindo-se e tirando da cartola coelhinhos brancos. Observam os grandes feitos industriais, os carros e computadores e pensam: "esse mágico é bom pra caramba. Estudou pra caramba e agora faz a mágica com destreza. E eu que não sei fazer internet, videocassete, uns carro loco... atrasado eu to um pouco sim. É. Eu acho."
E o Zé fica convencido de que o rico é o mágico, de que são eles mesmos os responsáveis por todas as transformações.E vai pra casa pensando que, se fosse mágico, não tinha as mãos cheias de calos, não tinha que apertar parafuso, bater prego, varrer o chão, descascar o amendoim, o abacaxi, digitar nas teclas, guiar o carro, preparar o pão, apertar o botão...
Se fosse mágico, só teria calos na boca e nas partes. Porque defecar e comer é só o que fazem os mágicos, como os bebês.
E essa inveja se confunde com admiração, porque viver com magia, transformando coisas é o sonho do pobre; passa-se então a exaltar os poderosos que tanto fizeram até conquistarem seus postos.
Até que um dia o Zé acorda e percebe que a mágica era só ilusionismo. O Mr. MX revelou que era o pobre, de olhos tapados pelos capangas inimigos, quem fazia as transformações.
Percebeu que a mágica não existia – o que havia era trabalho – o seu trabalho – essa alquimia que separa o trigo e o transforma em pão.
Porque só o trabalho transforma uma coisa em outra. O mais é puro ilusionismo.
Du