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terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Era do Vamover e a hora de mover


"Só que a Era do Vamo Ver transcorre lenta, placa tectônica grávida de terremotos. Decepcionada com o que a visão lhe trouxe ela se move, oculta no país das formigas, lentamente separa as terras do trigo e do joio, indicando que o momento de só ver chegou ao fim."



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As últimas décadas do “breve século XX” trouxe no seu bojo o legado de duas grandes guerras mundiais e seu prolongamento “frio” acima da linha Equador, junto com os “incêndios” nos territórios abaixo (vide o financiamento de grupos guerrilheiros no continente africano, por exemplo). Trouxe também o 'baby boom” brasileiro: uma onde gigantesca de futuros jovens que se somariam à geração rap, na disposição de cobrar o que era seu por direito.
Esse fantástico tsunami humano chegou a tempo, bem na hora. (Eu sou ruim em sintaxe, mas amo a morfologia das palavras, seus sentidos históricos que se agregam, desagregam e mantém a língua viva). Era a hora do vamo ver:
Vamo ver quem sobrevive aos atentados terroristas do Estado, quem vai virar mercadoria embalada sob o rótulo de militância política, divina ou cultural, quem vai simplesmente se vender, quem vai se doar, quem vai sair do milharal sem fim e virar pipoca macia pulando fora ao invés de ficar até se tornar adubo para o solo fértil revolucionário.
Era a hora do vamo ver quem quem vai ficar de frente, quem vai dar as costas ou andar lado a lado com o povo pobre, com @
s mais humildes, @s encarcerad@as, @s deprimidas, @s renegadas, afronordestinas, gays pretos e pobres, maconheir@s e fumadores de crack morando nas ruas.
Vamos ver quem persegue a loucura, ao invés de perseguir @s louc@s.

Aquela era, realmente, a Hora do Vamo Ver...
Mas aí, ce sabe, as esquerdas do mundo ocidental foram erguidas ao poder por força de um sistema contraditório que, para manter uma determinada elite mundial como mandatária do mundo, permite a ascensão de partidos pseudo-revolucionários, os quais, a história prova, estavam fadados a apenas reproduzir o esquema: há de se diminuir o embate físico para reforçar a violência simbólica e facilitar a cooptação.
Foi por isso que a hora virou toda uma Era... A Era das Catástrofes de Hobsbawm passou (embora ainda existam ameaças de fim do mundo e o mundo acabe cada vez que uma mãe preta vê seu filho morto – só no Brasil são dezenas de milhares por ano) e deu lugar à Era do Vamo Ver. E como vimos, esta última, começou há milianos: quando o rap nacional deu voz à favela, sonhou com o fim dos massacres ao nosso povo e revelou ao país a nossa negritude e força de transformação (seu filho quer ser preto? Há! Que ironia!).
Só que a Era do Vamo Ver transcorre lenta, placa tectônica grávida de terremotos. Decepcionada com o que a visão lhe trouxe ela se move, oculta no país das formigas, lentamente separa as terras do trigo e do joio, indicando que o momento de só ver chegou ao fim.
É a hora da mudança. É a Hora de Mover.



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