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PORQUE NÓIS NUM TÁ AQUI PRA SER LEGAL

sábado, 9 de dezembro de 2017

Porque mulheres escrevem menos romances?




Ou: porque este texto não foi publicado em outros sites...

Ou: Porque já temos cacife para afirmar sem pedir a bênção às estatísticas

Ou: Ou você é São Tomé?


Um dos meus sonhos é escrever um romance (meu e do Du, em coautoria, como este blog). Não qualquer romance... uma trilogia. Trilogia futurista de ficção científica. A história está pronta. As personagens estão eleitas. Assim como o local e a época já constam como escolhidos.
Mas apesar desse sonho grandioso. Eu não me frustraria tanto se a história que eu escolhi só desse em um contozinho de poucas palavras... O importante mesmo é tirar de dentro da minha cabeça e materializar as ideias.
E porque será que eu, poeta negroperiférica, consigo sentar e mandar ver em um poema de forma fixa ou livre, mas não dou conta de uma prosa literária, por mínima que se queira?
Em primeiro lugar, é importante que se diga que esse não é apenas um problema meu. A vida das mulheres em geral, já dizia Virginia Woolf, é atravessada por muitas questões, como o histórico machismo e o histórico racismo que nos fazem trabalhar muitíssimo mais que a média masculina e branca. Além disso, há a dificuldade em parar e dedicar tempo a um trabalho que não nos foi socialmente delegado e não necessariamente nos trará retorno financeiro. Essas coisas dificultam – e muito – a escrita de textos mais longos.
Minha tese por exemplo... vai pra cinco anos já... Mas desse não passa! Não tenho escolha... Serei, enfim, uma escritora pesquisadora doutora (além de favelada, lógico...). 
 
O caso é que, por essas e outras meu romance prossegue esperando. Pode ser que quando minhas filhas crescerem e eu tiver me aposentado (quer dizer... se eu conseguir me aposentar. O mais certo é que a gente morra antes mesmo como pretendem os pretendentes às reformas na aposentadoria), pode ser que enfim eu tenha tempo pra contar histórias longas.
 
No entanto, escrever é uma necessidade. Na escrita nos revelamos, liberamos angústias, construímos utopias e delas nos alimentamos. Por isso, o desdém masculino nos capota, mas não breca e a gente continua escrevendo até debaixo d’água, se for preciso.
Daí que somamos forças e fundamos coletivos que promovem a leitura de mulheres, como o Leia Mulheres ou o Mulherio das Letras, ou ainda o Sarau das Pretas e as Edições Me Parió Revolução. Juntas nos articulamos e impulsionamos a publicação e circulação de livros femininos e independentes. Juntas criamos formas de resistência.
Falei outro dia a uma repórter sobre o fato de muitíssimas mulheres escreverem, poucas serem publicadas e a imensa maioria ser desdenhada com frases do tipo “você é muito emotiva”. Disse a ela que a consequência lógica do ataque masculino é a nossa resistência e vice-versa. Disse ainda que nós seremos as responsáveis por revolucionar essa parada. No fundo eles sabem disso. E é por isso que tanto temem.
Se eu não conseguir escrever meu romance, ao menos as parceiras já sabem que ele esteve no meu horizonte, me alimentou e foi por mim alimentado. E que esse saber abra portas e fortaleça a resistência de outras de nós.



quarta-feira, 29 de novembro de 2017

domingo, 12 de novembro de 2017

Psicógrafa






Quando ele tombou a PM
disse que era apenas 

guerra entre gangues 

so


meu coração virou pedra quente
larva derretendo no leite e vazando
no mirante dos olhos leigos.




Ironia do destino
é a guerra ter virado
cavalo selado
desgraçando a campina grande
do Estado.




Vou perguntar aos meus meninos
se eles queriam estar vivos
ou queriam realmente
fazer parte desse conto

cínico.




terça-feira, 7 de novembro de 2017

Quem viver verá


Porque cantariam tão tristes?
Ou: Numa cantiga qualquer

“Pode chegar,
favela é um bom lugar”
Sabotage 


Porque depois do córrego
tinha o mato, o pouco rio,
as nascentes,
as plantas carnívoras,
os atalhos
e concorrentes.

Porque é no extremo
que o horizonte
se impõe mais nítido:
janela com janela
beco
labiríntico.

Porque é lá que inda moram
os elos perdidos:
a humana carga.
O humano sítio

de portas abertas
pra que o sol brilhe forte
e o mofo da miséria
o trabalho
transforme
poesia.


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O HOMEM NU NO MUSEU E O BOI DE PIRANHA

BOI DE PIRANHA

Você sabe o que é “Boi de Piranha”?

É muito simples. Boi de Piranha é um tipo de boi utilizado para fazer a travessia de gados por dentro de rios cheios de piranhas. A coisa funciona assim: Vc joga o boi que considera inútil pro comércio pra que as piranhas se ocupem dele, daí, um pouco mais pra cima, você passa pelo rio levando em segurança os 99,9% do gado. Boi de Piranha só serve pra distrair as piranhas, pois se dependesse delas, destruiriam todo o rebanho e impediriam a travessia.
E no mundo das NOTÍCIAS, o que seria um Boi de Piranha?

No mundo das NOTÍCIAS Boi de Piranha é um tipo de notícia utilizada pra que os poderosos possam “passar por cima” com aquelas que são as notícias que realmente importam ou deveriam importar.
Boi de Piranha no mundo das NOTÍCIAS é ficar discutindo se uma criança pode ou não ver um sujeito nu e se tal experiência é ou não necessária. Caso tais discutidores nunca tivessem ficado pelados na presença de seus filhos e filhas, a NOTÍCIA procederia, mas como sabemos que isso não é verdade, concluímos que não passa de um Boi de Piranha.
De um lado os hipócritas dando um caráter maldito à nudez. De outro lado um grupo de experimentadores contumaz que só pensam em diversão e consumo que são capazes transformam um escarro em arte e passar horas a observar e a inventar sentidos.

Mas tem uma coisa que os une: JÁ ESTIVERAM PELADOS NA FRENTE DOS FILHOS. Caso não, libertem-se desse bloqueio, nem precisa ler Freud.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O PT, a desarticulação dos movimentos sociais, os editais e outros repasses de verba como formação dos novos Currais Eleitorais


Resultado de imagem para dentadura vote em mim





Triste do militante que que não conhece história, que não sabe que sua vida se inicia antes de seu nascimento e da própria concepção. Triste do militante que acha que a vida finda quando morremos, que param por aí as nossas influências. Demonstrando com isso que não sabem que a história influencia o presente e o futuro, e que, por isso, este que prefere observar o “fenômeno”, as coisas, como se elas não tivessem história ou futuro. Somente presente.


Triste do militante que não conhece e nem quer conhecer (e tem raiva de quem conhece) o que é dialética ou teleologia (teleologia: a história persegue algum objetivo?).


Triste deste militante que por não conhecer história não sabe que o PT  dos anos 80 resolveu testar sua popularidade apresentando um candidato, mas que o acordo era não assumir, caso fossem eleitos. Mas esse pensamento mudou imediatamente, quando o tal parlamentar eleito começou a receber seu salário e repassar para o PT. Daí pra frente da pra imaginar né?


Triste do militante que não sabe e não quer saber que, ao ir pro governo com uma proposta de coalizão (alianças), o PT desarticula todos os movimentos sociais e, como se fosse um rolo compressor, esmaga os militantes “pés de barro” e inicia um namoro com os universitários. Estes últimos, têm a vantagem de serem menos violentos e mais fáceis de cooptar, por que quando a coisa fede estes podem até mudar-se de casa, pra não ficar muito perto do povo, e assim se livrar de possíveis cobranças.


É visível que os militantes/cooptados, que se destacaram no PT, das duas uma: ou saíram da quebrada ou nunca são vistos na rua, só no self.


Triste do militante que não percebeu que o PT criava um novo tipo de “Curral Eleitoral”, e que esse estava alicerçado em “editais” e outras formas de repasse de verba. Isso, para que pequenos grupos (“coletivos” ou ong’s) tentassem administrar o curral (principalmente com ações culturais) e, assim, garantir os votos necessários.


Triste, triste triste foi ver que a militância abraçou a ideia da articulação do povo via ações culturais e deixou de lado a formação política, que não rende tantos pró-labores, ajudas de custo ou salários. As formações políticas que o PT fazia na quebrada nos anos 80/90 nada tinham que ver com estas apresentações culturais onde os agentes mostram cara feia, mas por dentro, assim, na altura da barriga, estão chorando de rir (vide o Faustão apresentando MV Bill em seu programa).


Agora, triste mesmo foi ver que a militância não sabe que nóis num é boi e, portanto, não podemos ser colocados em currais.
 
Nóis percebeu seu zói grande; nóis percebeu que, enquanto líderes, vocês não estão dispostos a serem  os últimos a comer e os primeiros a apanhar. Pelo contrário: vocês reinventaram um tipo de líder que se alimenta primeiro, alimenta até seu cachorro, por se acreditar celebridade dono de curral, onde tá tudo dominado.


Aí na hora da eleição, o povo te olha e te fala: quem é tu que eu nunca vi mais gordo? Só te vi magro. Quando, onde e como engordaste enquanto a maioria emagrecia?


Pra que o povo vote no PT, o partido deveria estar presente. Será que deu pra aprender isso com o PARTIDO@15.?


Mas não, o curral perdeu pra televisão, mostrando-se ineficiente num mundo repleto de veículos de comunicação.


Foi assim que, ainda na gestão Haddad, foram pro espaço os AMA’s, com Dilma nos defendendo, perdemos o seguro desemprego e, agora, o Doria nos dará ração, o Temer, mais escravidão e o Vão Livre do Masp vai continuar, vazio, vazio.


Triste que agora estamos totalmente desarticulados, sem voz, sem estrutura que esteja à disposição do povo pra tentarmos frear as violentas ações Neoliberais que perpassam o país.


Porque nóis, o povo, “estamos sós, ninguém quer ouvir a nossa voz” (Racionais MC’s).

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Madonnas de heróis recalcados


Mostra sua cara,
se apresenta, fariseu.
Falar de nóis é fácil
quero ver você ser eu.
TSG



  


Quando o palhaço do muro me olhou
já não havia motivo pra medo.
A casa estava fechada,
as costas estavam vidradas
havia diamantes de escolta
e as contas correntes no apoio
do desejo alheio.

Bati.

As madonnas fingiram não estar
e as sombras no andar de cima
me olhavam como se a roupa
mais farrapo que eu vestia
era apenas motivo de escárnio
balde de mijo gelado
e massa escura
(mal sabem…).

Foi quando eu virei pixadora:
O palhaço, as línguas de cobra e as mil e uma mulheres negras passaram
a ultrapassar os muros,
a pular por sobre os globos,
sob as bulas,
sob os calmantes.

As madonnas de novo
me olharam com nojo. Não.
Dessa vez havia além.
 

No escuro, vi meu sonho derramado
e o sertão voltou pra dentro
do meu centro 

- estropiado unguento:
Papai, Vovô, Mãe Fulô,
o cangaço de herança e o espinho
ponteiro de mandacaru.

Nesse ínterim
choveu muito em São Paulo
mas no muro continuava o palhaço
e suas mil e uma noites 

sem ilusão.

As madonnas e seus heróis recalcados
agora apenas olhavam 

o muro e 
choravam.


Apenas
apenas olhavam 
o muro e 
choravam.

Máscaras caídas,
choravam,
sem ter o que dizer.

sábado, 7 de outubro de 2017

111 de outubro

Sim, eu dancei com flores
Sim, senti suas dores 
Não vo mentir 
Não sorri vendo televisão 
Nem me diverti vendo as torres no chão 
Nunca achei que a grande águia estava de joelhos 
com medo 
Não me revelou segredos 
quem vi com medo foi uma multidão de trabalhadores 
seus familiares e parentes 
Mas não por acaso nenhum patrão estava lá 
só mesmo os funça e a população 

11 de sembro, 111 em outubro 
Duas torres formam 11 


Setembro não é mais setembro 
setembro agora chama-se 11 de setembro 
e outubro, não se chama mais outubro 
chama-se agora 111 de outubro 
Nos EUA e no cárcere (também) tem classe  
trabalhadora

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Das contradições do capitalismo II: Porque escrevemos um livro tosco? Quer dizer... boçal?

Sabemos.
Deve ter gente se perguntando porque escrevemos um livro tão impopular,
tosco e radical. E o pior, porque publicamos algo com tantos desvios
gramaticais, erros de digitação e o escambau a quatro...


Pois é... publicamos e não vamos reformular nada.
Publicamos e não faremos revisão.
Publicamos
porque somos mesmo impopulares e porque sabemos que há ali  conteúdos
que não pode ser desperdiçados. Publicamos porque entre ajustar-se à
norma padrão da língua e cuidar das filhas, nós ficamos com o segundo
trampo.
Porque aprendemos com Carolina aspectos mais importantes da escrita do que o gramatiquês.

Escrevemos um livro tosco.
Não!
Não é tosco... é boçal.
Sabe? Boçal como os escravos negros que ainda não passaram pelo processo de aculturação... 
Descurpa... não tamo ainda devidamente aculturados....
Além disso... dá uma lida nisso e me diz se alguém precisava ou não dizer essas coisas?



SALVE FAVELA: Das contradições do capitalismo II - PCC e a paz n...: O PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL “PCC” E A PAZ NAS FAVELAS sobre a redução de 80% no índice de homicídios Durante duas décadas...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ISSA PAZ E SARA DONATO - MACHOCÍDIO

Para os prêmios nobel de lóki

ISSA PAZ - QUEBRA DO STATUS QUO


SARA DONATO - PROSTITUIÇÃO AUDIOVISUAL


Das contradições do capitalismo: Porque escrevemos um livro tosco? Quer dizer... boçal?



 Sabemos. Deve ter gente se perguntando porque escrevemos um livro tão impopular, tosco e radical. E o pior, porque publicamos algo com tantos desvios gramaticais, erros de digitação e o escambau a quatro...
Pois é... publicamos e não vamos reformular nada.
Publicamos e não faremos revisão.
Publicamos porque somos mesmo impopulares e porque sabemos que há ali  conteúdos que não pode ser desperdiçados. Publicamos porque entre ajustar-se à norma padrão da língua e cuidar das filhas, nós ficamos com o segundo trampo.
Porque aprendemos com Carolina aspectos mais importantes da escrita do que o gramatiquês.

Escrevemos um livro tosco.
Não!
Não é tosco... é boçal.
Sabe? Boçal como os escravos negros que ainda não passaram pelo processo de aculturação... 
Descurpa... não tamo ainda devidamente aculturados....
Além disso... dá uma lida nisso e me diz se alguém precisava ou não dizer essas coisas pro nosso senhor prefeitinho?


SALVE FAVELA: Prefeitinho branco de leite em pó: Caro senhor prefeitinho, Sabe a história da branca de neve, não é? “Claro” que sabe. Rapunzel e o kibungo eram histórias impensávei...

Coletivo Com-Ciência: Orgulho crespo


sábado, 30 de setembro de 2017

domingo, 24 de setembro de 2017

DAS CONTRADIÇÕES DO CAPITALISMO - EBOOK GRÁTIS



BAIXA QUE É GRÁTIS.



OU COMPRE, SE QUISER DAR UMA FORÇA:

Saiba como os pobres acessam a tecnologia


AGORA NÓIS TEM ESTRUTURA… SÓ QUE NÃO!!!

Demoro mais agora nóis tem estrutura tecnológica. Nóis tem computador, TV fininha, projetor de cinema, lousa branca e canetinha. Mais nóis tá numa maré de azar que só cê veno, pois bem logo agora que nóis tem as resposta, parece que as pergunta foram tudu trocadas. Então na projeção de cinema que semanalmente fazemos de graça, aparecem no máximo 15 pessoas o restante tem tanto filme pirata em casa que poder sentar-se e ver um filme nada mais tem haver com sensação causada no passado. O ônibus da “ascensão social via acesso tecnológico” partiu bem no momento que vinhamos correndo esbaforidos com a tecnologia na mão. Ficamo aqui com esse monte de aparelho eletrônico, usando pra fazer o que já fazíamos, ver vídeo e ouvir música.
Mas e a estrutura arquitetônica ? Essa aí vai ainda pior. Ai que vergonha ver aquele CEU Parque Bristol gigantão sem uma só arvore adulta (foi inaugurado sem uma só arvore), sem bancos espalhados pelo terreno (pra não juntar gente, pra ser mesmo expulsivo), com um portão que vive parecendo estar fechado. Sem falar naquelas rampas de acesso pras salas que no topo chega a mais de 10 metro de altura e que não tem uma só telinha de proteção… Que tão esperando ? Um muleque nosso cair ? Vai dá um chabú doido. E as creches? Enfiam mais de sessenta crianças (e uma equipe de 10 pessoas) numa casa construída pra acomodar uma família de cinco pessoas. O solário, local de tomar sol, é de 2x2 metros, a garagem é a sala multi uso, o parquinho só cabe 10, o calor é insuportável. São verdadeiros depósitos de pessoas. Só não tem mesmo aquelas grades que tem no Cassiano Ricardo (a escola mais gradeada da região) que causam forte sensação prisão. No banheiro, não é particularidade do Cassiano, nunca tem, nem nunca teve papel higiênico, de tão ruim a estrutura dos banheiros nossas crianças só usam para fazer o número um o dois é só em casa.
A estrutura alimentar, tanto das ONGś, Escolas, Convênios ou Editais servem refeições cada vez pior, composta por biscoitnho e suco de caixinha.
A estrutura administrativa é patriarcal, isto é, os administradores, administram como se a coisa pública lhes pertencesse. É conhecida, por exemplo, a história de uma diretora da Escola Álvaro de Souza Lima que era sempre acompanhada em sua sala de trabalho por seu fofo cachorrinho. Fica a pergunta: Quem mais podia entrar na escola acompanhado de seu fofo cachorrinho ? Acho que mias ninguém.
Então, é importante que percebamos de uma vez por todas que estrutura tecnológica pode não servir para nada e que a administração patriarcal pode piorar e muito esse problema.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ARACNÍDEAS FÓRCEPS

A imagem pode conter: atividades ao ar livre e natureza



No meio da cidade destruída
A aranha
Tece com seus fios.
Tece a pedra.
Tece o rio.


Forte pro vendaval não entranhar
Em vãos designados às pérolas maduras
Pro maçarico não se intrometer no ouro
Que a teia reflete pra atrair as loucas
E os simples de coração.

A aranha tece seus fios de ouro
Na cidade dos tolos-nem-tanto-assim.

Vez em quando elefantes e touros
Se cobrem num mil casulos
Com os fios da aracnídea dos sonhos.

Nessas horas
A cidade destruída
Volta a estar protegida
E as pérolas maciças
Brilham por dentro do ouro
Como um colar-muro-da-china.

E a cidade novamente é nascida.

Quando eu souber grafitar


terça-feira, 25 de julho de 2017

Gráfica faz propaganda enganosa e prejudica lançamento de livro



De Zacimbas a Suelys



Hoje, 25 de julho, é o dia da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha. É dia em que se homenageia Teresa de Benguela, líder quilombola, mais uma de nossas heroínas negras cujas histórias não contadas começam enfim a chegar até nós. Teresa de Benguela é como Zacimba Gaba – Princesa cabinda e quilombola – homenageada no livro DE ZACIMBAS A SULELYS : COLETÂNEA AFRO-TONS DE EXPRESSÕES ARTÍSTICAS DE MULHERES NO ESPÍRITO SANTO.

Entretanto, o lançamento da obra, marcado para o dia 29 de julho na cidade de Vitória (ES), corre sério risco de não acontecer porque a gráfica contratada para o serviço – PRINTI – não cumpre prazos, como faz parecer em suas propagandas. Nosso primeiro pedido foi feito no dia 07/07 e o prazo inicial de entrega era 12/07. No entanto, às vésperas do lançamento, só temos dez por cento do que foi pedido e devidamente pago.

Pedimos a gentileza de divulgar esse texto, para que outras de nós não caiamos em golpes semelhantes, para que as empresas sintam-se pressionadas e também para que o lançamento da coletânea seja um sucesso.

Aliás, sintam-se convidad@s!



Abaixo, mais detalhes sobre a obra e o coletivo




O Coletivo Afro-Tons tem o orgulho e o prazer de convidar tod@s a participar do Sarau de Lançamento da Coletânea Afro-Tons de Expressões Artísticas de Mulheres Negras no Espírito Santo – De Zacimbas a Suelys, a ser realizado no dia 29 de julho de 2017, na sede da DasPretas.org, localizado na Rua Gama Rosa, 194 – Centro – Vitória – ES, a partir das 19h. O livro traz a arte em forma de poesia, conto, fotografia e desenho de 24 (vinte e quatro) mulheres poderosamente negras, que trazem todo o universo de dor, crítica, denúncia, beleza, afroamor, luta e resistência vivida e sobrevivida no contexto espiritosantense, marcado por processos de empoderamento e desejo de subversão do sistema que oprime e silencia vozes e devires. Teremos como grande homenageada a poeta, atriz e mestra Suely Bispo. Faremos um belo e mágico sarau, além do compartilhamento de experiências, vivências, afetos e luta. 

O evento acontecerá também como parte de uma programação mais geral em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha (25 de julho), estabelecido em 1992 no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas. Esse marco histórico teve como objetivo reconhecer a luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe. No Brasil, essa data foi oficialmente reconhecida em 2014 com a Lei nº 12.987, de 2 de junho de 2014, instituindo o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Teremos como programação do Sarau de Lançamento leituras e dramatizações de poemas da coletânea e outros, apresentação de dança do ventre com Shiara Arruda, dança afro com Cibele Verrangia e performance poética com Suely Bispo, nossa grande homenageada. 
Acontecerá também um coquetel afrocentrado, a presença das artistas da coletânea que estarão autografando os livros, sorteios de livros e muita música, bailados e afroamor.
Venham!!! Vai ser bapho! Axé!




terça-feira, 11 de julho de 2017

OS COOPTADOS PELAS ONG'S QUE FORTALECEM A ELITE E ENFRAQUECEM O POVO POBRE.

Tempos Difíceis ou Metralhadora de Chocolate 

Os cooptados propagam de dentro de instituições que na maioria das vezes são de caráter não governamental, mas que firmam parcerias pelegas para fazer o trabalho sujo, se é que há o limpo, do governo. Tais instituições cooptam nossos soldados e propagam, “de bem de pertinho de nóis”, a ideologia neoliberal.
 

 

 

Estamos perdendo feio esta guerra. Nossas armas causam no inimigo não dor, mas prazer, não medo, mas coragem, aplausos, cócegas.

Nossas muralhas foram destruídas e o inimigo circula livremente pelo território, quase todo ele dominado. Por isso as trincheiras perderam o sentido e agora são usadas contra as enchentes. As armadilhas, que eram simples, mas que nos tornavam menos vulneráveis, tiveram seus segredos revelados e agora são motivos de piada.

Bases militares inimigas são instaladas a cada dia a menores distâncias uma da outra
Nosso exército, que já era fraco, foi quase todo ele cooptado e muitos ex-soldados nossos estão agora usando informações privilegiadas a nosso respeito para, por meio dos estereótipos e tipos ideais, fortalecer a dominação inimiga.

Após nossas estratégias serem entregues aos inimigos, estes a inverteram contra nós. Por exemplo, o Rap, aquele que reunia 40 - 50 mil favelados mal encarados no vale do Anhangabaú para ouvir seu raivoso discurso foi quase todo convencido que é melhor fazer arte do que fazer a arte da guerra. Por isso não desperta mais as paixões políticas que despertava quando era um revelador de verdades. Ele agora é oficial, fala de dentro de instituições que na maioria das vezes são de caráter não governamental, mas que firmam parcerias pelegas para fazer o trabalho sujo, se é que há o limpo, do governo. Tais instituições cooptam nossos soldados e propagam, “de bem de pertinho de nós”, a ideologia neoliberal.

Nossa Central de Trabalhadores que muito nos ajudou a avançar, ou pelo menos a não retroceder nos direitos trabalhistas, também entrou no jogo da cooptação. É agora um braço do Estado, tem verba oficial e tudo o mais. Enfim, foi tomada. O inimigo assumiu sua administração.

O único partido político que nos representava nacionalmente (oh! evolução do capitalismo!) foi posto no poder. Por isso, a cooptação dos militantes, desarticulou as movimentações populares.

E o pior de tudo é que os cooptados tiveram seu egoísmo aflorado e gritam numa só voz que tudo vai bem, que os avanços são muitos! Ficaram cegos diante do pequeno poder que lhes foi ofertado e estão “mais felizes que pinto no lixo”. Nos traíram.
Estamos perdendo feio esta guerra, esta luta entre classes, mas ela ainda não acabou. Porém, no atual momento, o inimigo avança. Avança porque nossas estratégias foram desarticuladas e nossas armas são de brinquedo: cospem bolinhas de sabão; disparam bandeirinhas brancas.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

As Ong´s não são assistencialistas, são neoliberais...



As Ong´s não são assistencialistas, são neoliberais...

“Todas as ong´s concordam que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe, parecendo ignorar que, para quem está com fome, o importante mesmo é comer o peixe.”



O projeto neoliberal, no Brasil e no mundo, prega que os Estados devem abominar o assistencialismo, não devendo ser arrimo dos pobres. Ou seja, os Estados devem ser mínimos, no que toca à assistência social. Por isso os recursos que deveriam ser destinados a suprir as necessidades dos mais pobres e garantir-lhes a sobrevivência, são investidos em Ong´s cuja missão é ensinar aos pobres como resolverem sua própria situação.

A coisa acontece assim: A Ong recebe uma verba X do governo, ou de investidores particulares, e tem de repassá-la aos necessitados que atende. Mas o repasse não acontece de forma concreta, pois as instituições raramente entregam ao seu público alvo os produtos básicos para solução imediata de seus problemas também básicos. Isto é, ao invés de repassar, por exemplo, a um sujeito responsável por uma família de quatro pessoas, os mantimentos necessários para que sobrevivam por um período e, paralelamente, lhes fornecer capacitação profissional e passe livre para circular pela cidade, as ong´s costumam entregar somente a capacitação. Esta última costuma ser composta de palestras e mini cursos que, em geral, abordam conhecimentos que deveriam oferecer subsídios para que o trabalhador se organizasse financeiramente, mas que se mostram tão abstratos e ineficientes que mais parecem cursos de auto ajuda.

Nem todas as ong´s são ineficientes no que concerne à formação dos sujeitos para “pescarem seu próprio peixe”, mas todas elas dizem, numa só voz, que é melhor aplicar recursos na capacitação de empreendedores, uma vez que sua simples distribuição faria com que as pessoas se tornassem acomodadas, acostumadas a receber sem trabalhar, as tornaria “mimadas”. Todas as ong´s concordam que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe, parecendo ignorar que, para quem está com fome, o importante mesmo é comer o peixe.

É necessário que percebamos de uma vez por todas que os verdadeiros mimados são os ricos, pois são os verdadeiros pais e filhos do Estado burguês. São eles os acostumados a receber e não a trabalhar, e as ong´s são neoliberais por que aceitam e propagam o Estado mínimo – uma vez que o Estado “máximo” seria assistencialista – daí as ong´s serem tão aceitas pelo poder público e empresários (e, estes últimos, são os verdadeiramente assistidos por políticas assistencialistas, políticas protecionistas, pelo “Estado máximo”).

MASSACRE DO CARANDIRU


ROTA 66 - A História da Polícia que Mata - Entevista


ROTA 66 - A História da Polícia que Mata


COMO FAZER REPORTAGEM


segunda-feira, 3 de julho de 2017

SOBRE AS NOVAS FAVELAS DE RESTOS DE MADEIRA

SOBRE AS NOVAS FAVELAS DE RESTOS DE MADEIRA QUE SURGEM EM SP A CADA DIA E O DESPREZO QUE SOFREM POR PARTE DOS "MOVIMENTOS DE MORADIA".
 Bristol e Savério.


É muito triste ver pessoas que há trinta anos atrás estavam morando em barracos de "resto de madeira", em terrenos ocupados e, por isso, pagando todo veneno do mundo, condenando os que hoje fazem o mesmo que eles fizeram há trinta anos quando formavam o "movimento de moradia", e construíram suas moradias "permanentemente improvisadas".
Triste também é perceber que os de trinta anos atrás esqueceram-se de seu passado e presente como favelados. Acham que favelados são somente aqueles que moram nos barracos fabricados com restos de madeira. Hoje condenam aqueles que fazem exatamente o mesmo que eles fizeram.
Quem ocupa um terreno e constrói um barraco não faz por ostentação nem outro motivo qualquer, faz porque a necessidade é muito grande.
Quem fica a falar que as pessoas pegam terrenos para vender, esquecem-se que isso também acontecia há 30 anos e nem por isso invalidavam o movimento.
Por mais incrível que pareça os movimentos de moradia dividem os pobres entre os que merecem e os que não merecem ter acesso a uma casa de alvenaria articulada pelo "movimento". Isso chama-se MERITOCRACIA (um dos piores álibes do capitalismo).
NOSSA SENHORA DA MORADIA ROGAI POR NÓIS FAVELADOS, livra-nos dos egoístas e da PM ou GCM carniceira que os egoístas apoiam.

domingo, 2 de julho de 2017

María Pepe Pueblo





Em breve, María Pepe Pueblo:



"No soy la tipa que deja la línea.

Antes de soltar el hueso
yo
desciendo
en el
fondo
del
pozo
seguro con las manos
mantengo los dedos
y fijo
a las uñas muy firmes
en el carrete de los sueños."


Edição bilíngue do livro Maria Zé Povo dos Santos.

Quer um?

Colabora conosco:

https://www.kickante.com.br/campanhas/ajuda-para-onde-escondemos-o-ouro

SALVE FAVELA: Mar Burguês. Será que o mar é salgado?

SALVE FAVELA: Mar Burguês. Será que o mar é salgado?: Pra meu amor.



colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro Todo mundo já sabe: deu feriado prolongado a classe média e a b...

SALVE FAVELA: PROIBIDO ROUBAR POBRES: Salve Geral do PCC

SALVE FAVELA: PROIBIDO ROUBAR POBRES: Salve Geral do PCC:  



colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro E o PCC vai ter dado mais um passo na direção da revolução – essa que só pode...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Nayane Teixeira - menina fantástica hot dog

A voz do povo é a voz de Deus. O ditado popular já diz.
Mas não pra rede bobo.
 Quase oito anos depois, finalmente, escrevemos sobre a menina fantástica eleita pelo voto popular que os jurados da rede bobo não deixaram passar.
Nayane Teixeira, única candidata negra entre tantas, foi sistematicamente eliminada domingo após domingo no odioso Fantástico (é... naquele tempo eu assistia). No último dia, quando ela finalmente iria ser a vencedora (pelo voto popular), os jurados simplesmente resolveram a eliminar.
Assim. Sem maiores explicações.
A única negra entre a bonecas-barbies-brancas, foi eliminada sem maiores explicações.
Aliás, mesmo que explicassem, não convenceriam. A maior parte da população "votante" escolheu a pretinha... Nenhuma explicação "técnica" seria convincente nesse contexto.
Abaixo, reproduzimos o vídeo de sua eliminação e o engano que a deixou ainda mais simpática aos olhos do povão.
Nayane. Força. Continuamos com você.
colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro

terça-feira, 20 de junho de 2017

Contratado

20 conto o dia.
O sol no globo.
A chuva na moringa.

Dava pro café.
Dava pra coxinha.
Leite-moça, pão, farinha.
Daria pra motocicleta
um dia.

Avozinha da janela
cuidava de sua vida.
Ganhava 70 paus
num dia de faxina.

E a gente sonhava ser
entregador de pizza.

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Onde escondemos o ouro

Afinal, pessoal, escrever e publicar são atos de resitência.
Me apoiam?
sua foto do perfil, A imagem pode conter: 1 pessoa, no palco

https://www.kickante.com.br/campanhas/ajuda-para-onde-escondemos-o-ouro



Última música do Sabotage. Último livro de Carolina


colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro


Todas as nôistes eu dava duas viagens. Eu ia de bonde, e voltava a pé com as tabuas na cabêça. Treis dias eu carreguei tabuas dando duas viagens. Dêitava as duas horas da manhã. Eu ficava tão cançada que não conseguia dórmir. Eu mesma fiz o meu barracaozinho. 1 metro e mêio por um metro e mêio. Aquêle tempo eu tinha tanto mêdo de sapo. Quando via um sapo gritava pedia socorro. Quando eu fiz o meu barracão era um Domingo. Tinha tantos homens e nenhum auxiliou-me sobrou uma tabua de quarenta centimetro de largura era em cima dessa tabua sem colchão que eu dórmia.”

Carolina Maria de Jesus. Onde estaes Felicidade? Disponível em <http://www.mepario.com>

“Brooklyn, o que será de ti? Regar a paz, eu vim
Jesus já foi assim, brigas traz intrigas, ai de mim
Se não tolin, zé povim quer meu fim
Se esperar, apodrece, se decompõe
Se a gente faz, corre atrás, pede a paz, eles esquecem
Sempre assim, crocodilo hoje só rasteja em solo fértil”

Sabotage. Canão. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=WF7LLl7r4Os>

Pergunta inicial: Quilombo ou Senzala Moderna?
Sabemos bem que a urbanidade tem sido fator de muitas mudanças sociais ao longo da história. O êxodo rural no Brasil, por exemplo, foi certamente um dos grandes responsáveis pelo fenômeno do surgimento das favelas – esses aglomerados de casas, pessoas e sonhos ora invisíveis, ora descritas na literatura como componentes de um cenário nacional fadado ao fracasso – dada sua composição étnica de grande ascendência negra.
As favelas, do ponto de vista cultural e linguístico, são uma enorme e constante fonte de renovação, por isso são tidas, por alguns, como verdadeiros quilombos renascidos com a missão de desmontar o esquema político, econômico e cultural que, apesar dos mais de cem anos de abolição da escravatura, nos tem mantido escravos e escravas, em determinados aspectos de nossas vidas.
Há ainda um outro ponto de vista sobre a favela que tende a focar as relações econômicas e que, sem se contrapor à visão revolucionária de “quilombo moderno”, insiste em pensar a favela também como “senzalas modernas”, já que as comunidades faveladas reúnem a grande massa trabalhadora que continua a ser o principal motor econômico do país.
Com efeito, essa enorme massa trabalhadora/consumidora faz os olhos da economia se voltarem para esse “mundo favelizado”, o qual, segundo Mike Davis em Planeta Favela, já se configura como mais da metade do globo urbano. Como resultado disso, há o surgimento e fortalecimento de diversos movimentos advindos da periferia, sobretudo os de cunho cultural, como escolas de samba, os times de várzea, o Hip Hop e os saraus.

Entre Canindé e Canão, neguinho e neguinha zika

Mas, antes mesmo de entrar na “moda”, se pode dizer que a favela teve seus representantes ilustres: figuras de impressionante talento e que serviram de inspiração para as novas gerações, como Carolina Maria de Jesus, a escritora, e Mauro Mateus dos Santos, Sabotage, o maestro da Canão. Podemos dizer que, entre ambos, há muito mais do que o óbvio (suas peles negras, sua classe social, sua vivência na favela e o destaque que ambos alcançaram no mundo das artes). Podemos enumerar uma série de outras semelhanças, como as fortes personalidades, a alta resiliência e a forma como ambos escreviam: uma escrita fraturada e urgente.
A palavra zika, antes de referir-se a um dos vírus transmitidos pelo mosquito aedes aegypti, significava, na gíria das favelas paulistanas do final da década de 1990, azar, coisa ruim a ser evitada. Atualmente, o termo engloba este e, curiosamente, um outro significado oposto ao seu original: zika, na gíria das novas gerações é algo extremamente bom, melhor do que tudo, equivalendo aos termos “top” (super) e “chave”, “muito louco” ou “cabuloso”. Sendo assim, ser neguinho, neguinha zika, é ao mesmo tempo incomodar e despertar admiração – sentimentos que Carolina e Sabotage despertaram e ainda despertam.
No caso de Sabotage, “neguinho zika”, nas duas acepções que esta expressão atualmente engloba, talentoso rapper apelidado de “maestro do Canão”, ele parece levar para a ponta da caneta o free style, o canto improvisado mas extremamente denso. Seu rap vem preenchido de favela, de luta por sobrevivência, fraternidade, ira e uma cadência rítmica que nos embala e nos leva para dentro de seu “bom lugar”. Carolina, por sua vez era também o que hoje se pode chamar de “neguinha zika”: ciente e orgulhosa de sua negritude, disposta à luta, à briga e a ajudar a quem lhe pedisse apoio. Ambos foram personagens altamente inspiradoras para o que hoje é o Movimento Hip Hop e a Literatura Negro-Periférica.
Nascida em Sacramento (MG), Carolina, a nossa “neguinha zika”, completaria 103 anos em março, se estivesse viva. Aos 33 iniciou sua via sacra caminhando durante dois meses, de Sacramento a São Paulo, cidade onde viveria e trabalharia até sua morte, em 1977. Autora do best seller Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, Diário de Bitita e Onde estaes Felicidade?, dentre outros livros, Carolina deixou registrado o seu cotidiano na extinta Favela do Canindé, o trabalho de catadora de papel, a fome, as dificuldades em ser mulher negra e mãe solteira numa cidade opressora, parideira de misérias. Enquanto lutava pra sobreviver e sustentar a família, Carolina escrevia pra viver, pra manter a sanidade mental e a integridade da alma numa cidade que se “modernisava” e onde sequer restavam porões para as pessoas pobres morarem, tal qual a autora narra no seu último livro Onde estaes Felicidade?(Edições Me Parió Revolução, 2014).
Sabotage era o nome artístico de Mauro Mateus dos Santos. Paulistano, nascido em 13 de abril de 1973, na Favela do Canão – eternizada em suas canções – o rapper, antes de se firmar enquanto artista, trabalhou como comerciante varejista de drogas e tinha uma aparência, por assim dizer, “pouco valorizada”: preto de último tom e sem os dentes da frente, extremamente magro e com dreads espetados na cabeça, como se quisessem alçar vôo, fazer jus à personalidade que os carregava. Sabotage era o neguinho zika, mas seu talento, como o de Carolina, enchia os olhos e encheu os bolsos de muita gente com tino empresarial. Ele cantou com muitas parcerias diferentes, participou de inúmeros programas de TV e atuou em três filmes: O Invasor, Carandiru e um documentário sobre sua vida. Foi assassinado em 24 de janeiro de 2003, a caminho do Fórum Social Mundial. Um dia antes, havia gravado a música Canão, onde parece se despedir de nós, do Canão e do Zé Porvim que quis seu fim. Mas o maestro do Canão não morre. A poeta do Canindé também não. Suas obras e condutas não permitem o esquecimento.
Quilombo ou Senzala moderna, do ponto de vista histórico, as favelas ainda são recentes, mas já reúnem fatos e personalidades capazes de mudar os rumos do país. Carolina e Sabotage nos inspiram.


sábado, 17 de junho de 2017

PROIBIDO ROUBAR POBRES: Salve Geral do PCC

 





Se o salve abaixo for verdadeiro PCC vai ter dado mais um passo na direção da revolução – essa que só pode partir de quem já não tem mais nada a perder.
E os coxinhas com catupiry de plantão vão dizer o quê?

Abaixo reproduzimos o texto na íntegra


São Paulo 13 de junho de 2017 , uma Boa noite um forte abraço com total respeito de coração  família.
Por meio dessa mensagem veio comunicar a todos do estado de são Paulo...
Desde o início do ano passado o nosso país veio tendo uma frequente lotação nos presídios de todo Brasil CADEIA E LUGAR DE BANDIDO , e não lugar de sem futuro que por meios de emoção vem atracando na população. Todos os ladrãozinho de comunidades porta de buteco de quebrada de telefone de moto. O Aviso e o seguinte o Primeiro comando da capital não está mais apto a ficar resolvendo buxixo destes tipos de acontecimento. Ladrão e aquele que rouba de onde tem dinheiro e não dá onde precisa entra dinheiro, com esses tipos de roubo aumento o sistema carcerário. Nós do PCC temos o que fazer nossa luta contra o sistema pela operação dentro e fora dos presidios é uma luta muito constante pois tem homens dedicados a sofrer dentro do presídio para manter o nome da facção. Todos os irmãos do PCC e companheiros tem o que fazer todos estamos focados em progueco e não nesses tipos de buxixo, então montamos um tabuleiro e aqueles que tiver evidências e encaminhados paras as ideias com esses tipos de situações irá pagar com a própria vida em cima da prova concreta pois a meta do comando manter a paz e manter a igualdade para todos pois com essas situações perdemos diversos companheiros e integrantes de nossa facção então que kizer ir contra a lei do comando vá... Pois já está bem claro o que será acontecido não queremos o mal para ninguém pois hoje todos sabem o que fazer. Se for para ganhar nome de bandido faça igual políticos se tiver que cair caia mais num B.O onde seu negócio vai ser lembrado e não em um crime onde irá atrasar país de famílias moradores. Esse salve e para todas as comunidades do estado de são Paulo e para todos os estados que habitam nossa facção vamos correr pelo certo.
AQUI NAO E CONSELHO, PORQUE SE VC CONSELHO FOSSE BOM SE VENDIA .
AQUI É UM SALVE DO PRIMEIRO COMANDO DO BRASIL ENTAO RESPEITE

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Mar Burguês. Será que o mar é salgado?



Pra meu amor.

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Todo mundo já sabe: deu feriado prolongado a classe média e a burguesia desce a serra, pisa a areia e vai se livrar da uruca, do perrengue financeiro, das crises existenciais e de relacionamento, tomando banho de mar. Se calhar cabe ainda um petisco, uma cerveja, uma ida ao Shopping e talvez até continuar comendo em restaurantes.

Enquanto isso, entre os pobres é comum pessoas que nunca conheceram o mar. 

Sabe aquele marzão sem fim, com cheiro de sal e mariscos – quando não esgoto e peixe podre -? Ele é um velho desconhecido de tantas pessoas que esse fato nem deveria causar constrangimentos.

Mas causa.

A privação do conhecimento e a insegurança de não ter o que contar, como quando éramos crianças, e nos fazíamos a feroz pergunta... será salgado mesmo???

A simplicidade, a ingenuidade da pergunta, por vezes, me faz desabar.

Aquele marzão é feito de lágrimas, pai, mãe.

Aquele marzão é feito de nossas lágrimas.

Lágrimas de classe.

Trabalho de nossa classe.

Privação.

Saudade.


Parodiando Fernando Pessoa, eu diria:

Mar burguês 




Até ficar bom pra tod@s

Não tá bom pra ninguém não
Ferréz



Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas do meu quintal!?
Para os burgueses se banharem, quantas nanás choraram,
Quantos meninos em vão rezaram!?

Quantas pessoas ficaram por casar
Para que fosses deles, ó mar!?
Valeu a pena? Nada vale a pena
Se a classe não é serena.

Se querem passar além do Riacho
Têm que pagar mais que pedágio.
Deus a nóis o perigo e o abismo deu,
Mas neles não espelhou o céu.









sexta-feira, 9 de junho de 2017

Quem manda no país é o Cunha



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Enquanto o dito cujo estiver preso, humilhado, ninguém fica no poder.

Ele é o maior detentor das informações que podem detonar com gigantes.

Porquê ninguém pediu delação premiada pra ele?

Será que a caguetagem dele é mesmo a “delação do fim do mundo”?

Como todos sabemos, Cunha é o sujeito, entre os envolvidos na questão da corrupção que assola o país, que mais reúne características de um psicopata: não admite ser subestimado, se acha inteligente, não tem empatia e taca-lhe pau em dossiê de meio mundo. Difícil pensar nele convivendo com alguém sem tirar nem uma fotinha.

Sendo assim, todo o mundo da política, não só brasileira, anda cagando de medo dele.

Mas o que é pior pra os medrosos? Soltá-lo ou deixá-lo preso?

Pro pensamento mais ignorante, o melhor é que ele seja preso. No entanto, raspa o cabelo dele pra você ver? Com a vaidade aflorada, ele solta o verbo: Pode me chamar de ladrão, de estuprador, covarde, feminicida, racista, homofóbico… só não me chama de careca! Aí eu não admito!


Hospital Amparo Maternal - SP




O amparo e o desamparo




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O hospital Amparo Maternal sempre divide opiniões: As mulheres que têm um parto tranquilo elogiam: puderam ser acompanhadas, seus bebês nasceram saudáveis e chorões. Por outro lado, aquelas que passam dias em trabalho de parto, com quatro dedos de dilatação, vários citotex e muita, muita contração, pensam diferente.

O suposto parto humanizado torna-se desumano. Parece bem uma forma de dizer ao governo que ele está errado ao forçar a diminuição de cesarianas. O governo está certo: o parto cirúrgico não deve ser a primeira opção. Entretanto, fazer uma gestante sofrer dias a fio com um parto natural que não acontece é de uma maldade sem tamanho.

Você já sentiu as dores de um parto? Sequer imagina como é? Se não sabe, nem queira: ganha mil vezes daquela sua dor de dente do diabo.

A pergunta é: Até quando?

Até quando nossas mulheres serão submetidas à tortura (crime hediondo e inafiançável) desnecessária?

Nesse momento, por exemplo, estamos angustiados acompanhando o trabalho de parto da Bia, filha da comadre Ana Paula. Há exatos quatro dias ela grita de dor esperando por um parto que não avança.

Talvez, além de quebrar tudo, devamos acionar o ministério público e todos os órgãos de proteção aos direitos humanos e das mulheres em especial.

Repetindo: tortura é crime hediondo e inafiançável.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cor de burro quando foge


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Cor de burro quando foge.

Eu sou.

Antes eu achava que era mestiça (a lenda das três raças fundadoras do povo brasileiro, lembra?).

Depois de um pouquinho de formação política descobri que era “parda”, cor de burro quando foge, branca suja. Um ser destinado a colher certos privilégios derivados de estupros, cárceres privados e acasos genéticos.

Diante dessa verdade insuportável, e compreendendo que me admitir não-branca ou não-negra consistia em um emcimadomurismo baixo, decidi então que sou, definitivamente uma mulher negra. Casei com um homem negro e minhas meninas usam black power.

Entretanto – sempre há contradições, se lembram? Estamos no Capitalismo – minha negrice desbotada, meus olhos que, diante da luz se desdobram num verde-amarelo de girassol castanho, causam estranhamento e contestações tanto de pessoas negras quanto brancas.

Então, vou dizer uma coisa: Se uma mulher negra, de pele escura, vier me dizer que eu eu não sou negra e não deveria, portanto, reivindicar direito a cotas, nas universidades, por exemplo, procurarei não contrariar. Não que eu já tenha sido beneficiada com cotas para negras alguma vez, não oficialmente. Mas admito que o desbotado da minha melanina diminui o impacto do racismo e permite até que eu tenha certos privilégios que as mulheres de pele efetivamente escura não têm.




Um bom exemplo desses privilégios é a “boa aparência”, mais próxima do fenótipo branco, portanto, menos discriminada. Então, aceito as críticas das irmãs negras.




Mas… sempre tem um senão… Se uma pessoa branca vier me dizer que não sou negra, aí o bicho pega… aí eu vou querer que ela divida comigo todos os privilégios que como “não-negra” eu teria direito. Vou querer nunca ter sido discriminada pela cor da minha pele, nunca ter desejado cabelo liso e loiro e me mutilado por isso, nunca ter passado fome, nem morar na favela. Vou querer que meus parentes não tenham sido assassinados pela polícia e que meu salário corresponda ao padrão de salário de homens brancos.






Se achar que eu sou branca… trata de mandar de volta os privilégios que me foram negados.