PORQUE NÓIS NUM TÁ AQUI PRA SER LEGAL

terça-feira, 25 de julho de 2017

Gráfica faz propaganda enganosa e prejudica lançamento de livro



De Zacimbas a Suelys



Hoje, 25 de julho, é o dia da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha. É dia em que se homenageia Teresa de Benguela, líder quilombola, mais uma de nossas heroínas negras cujas histórias não contadas começam enfim a chegar até nós. Teresa de Benguela é como Zacimba Gaba – Princesa cabinda e quilombola – homenageada no livro DE ZACIMBAS A SULELYS : COLETÂNEA AFRO-TONS DE EXPRESSÕES ARTÍSTICAS DE MULHERES NO ESPÍRITO SANTO.

Entretanto, o lançamento da obra, marcado para o dia 29 de julho na cidade de Vitória (ES), corre sério risco de não acontecer porque a gráfica contratada para o serviço – PRINTI – não cumpre prazos, como faz parecer em suas propagandas. Nosso primeiro pedido foi feito no dia 07/07 e o prazo inicial de entrega era 12/07. No entanto, às vésperas do lançamento, só temos dez por cento do que foi pedido e devidamente pago.

Pedimos a gentileza de divulgar esse texto, para que outras de nós não caiamos em golpes semelhantes, para que as empresas sintam-se pressionadas e também para que o lançamento da coletânea seja um sucesso.

Aliás, sintam-se convidad@s!



Abaixo, mais detalhes sobre a obra e o coletivo




O Coletivo Afro-Tons tem o orgulho e o prazer de convidar tod@s a participar do Sarau de Lançamento da Coletânea Afro-Tons de Expressões Artísticas de Mulheres Negras no Espírito Santo – De Zacimbas a Suelys, a ser realizado no dia 29 de julho de 2017, na sede da DasPretas.org, localizado na Rua Gama Rosa, 194 – Centro – Vitória – ES, a partir das 19h. O livro traz a arte em forma de poesia, conto, fotografia e desenho de 24 (vinte e quatro) mulheres poderosamente negras, que trazem todo o universo de dor, crítica, denúncia, beleza, afroamor, luta e resistência vivida e sobrevivida no contexto espiritosantense, marcado por processos de empoderamento e desejo de subversão do sistema que oprime e silencia vozes e devires. Teremos como grande homenageada a poeta, atriz e mestra Suely Bispo. Faremos um belo e mágico sarau, além do compartilhamento de experiências, vivências, afetos e luta. 

O evento acontecerá também como parte de uma programação mais geral em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha (25 de julho), estabelecido em 1992 no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas. Esse marco histórico teve como objetivo reconhecer a luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe. No Brasil, essa data foi oficialmente reconhecida em 2014 com a Lei nº 12.987, de 2 de junho de 2014, instituindo o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Teremos como programação do Sarau de Lançamento leituras e dramatizações de poemas da coletânea e outros, apresentação de dança do ventre com Shiara Arruda, dança afro com Cibele Verrangia e performance poética com Suely Bispo, nossa grande homenageada. 
Acontecerá também um coquetel afrocentrado, a presença das artistas da coletânea que estarão autografando os livros, sorteios de livros e muita música, bailados e afroamor.
Venham!!! Vai ser bapho! Axé!




terça-feira, 11 de julho de 2017

OS COOPTADOS PELAS ONG'S QUE FORTALECEM A ELITE E ENFRAQUECEM O POVO POBRE.

Tempos Difíceis ou Metralhadora de Chocolate 

Os cooptados propagam de dentro de instituições que na maioria das vezes são de caráter não governamental, mas que firmam parcerias pelegas para fazer o trabalho sujo, se é que há o limpo, do governo. Tais instituições cooptam nossos soldados e propagam, “de bem de pertinho de nóis”, a ideologia neoliberal.
 

 

 

Estamos perdendo feio esta guerra. Nossas armas causam no inimigo não dor, mas prazer, não medo, mas coragem, aplausos, cócegas.

Nossas muralhas foram destruídas e o inimigo circula livremente pelo território, quase todo ele dominado. Por isso as trincheiras perderam o sentido e agora são usadas contra as enchentes. As armadilhas, que eram simples, mas que nos tornavam menos vulneráveis, tiveram seus segredos revelados e agora são motivos de piada.

Bases militares inimigas são instaladas a cada dia a menores distâncias uma da outra
Nosso exército, que já era fraco, foi quase todo ele cooptado e muitos ex-soldados nossos estão agora usando informações privilegiadas a nosso respeito para, por meio dos estereótipos e tipos ideais, fortalecer a dominação inimiga.

Após nossas estratégias serem entregues aos inimigos, estes a inverteram contra nós. Por exemplo, o Rap, aquele que reunia 40 - 50 mil favelados mal encarados no vale do Anhangabaú para ouvir seu raivoso discurso foi quase todo convencido que é melhor fazer arte do que fazer a arte da guerra. Por isso não desperta mais as paixões políticas que despertava quando era um revelador de verdades. Ele agora é oficial, fala de dentro de instituições que na maioria das vezes são de caráter não governamental, mas que firmam parcerias pelegas para fazer o trabalho sujo, se é que há o limpo, do governo. Tais instituições cooptam nossos soldados e propagam, “de bem de pertinho de nós”, a ideologia neoliberal.

Nossa Central de Trabalhadores que muito nos ajudou a avançar, ou pelo menos a não retroceder nos direitos trabalhistas, também entrou no jogo da cooptação. É agora um braço do Estado, tem verba oficial e tudo o mais. Enfim, foi tomada. O inimigo assumiu sua administração.

O único partido político que nos representava nacionalmente (oh! evolução do capitalismo!) foi posto no poder. Por isso, a cooptação dos militantes, desarticulou as movimentações populares.

E o pior de tudo é que os cooptados tiveram seu egoísmo aflorado e gritam numa só voz que tudo vai bem, que os avanços são muitos! Ficaram cegos diante do pequeno poder que lhes foi ofertado e estão “mais felizes que pinto no lixo”. Nos traíram.
Estamos perdendo feio esta guerra, esta luta entre classes, mas ela ainda não acabou. Porém, no atual momento, o inimigo avança. Avança porque nossas estratégias foram desarticuladas e nossas armas são de brinquedo: cospem bolinhas de sabão; disparam bandeirinhas brancas.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

As Ong´s não são assistencialistas, são neoliberais...



As Ong´s não são assistencialistas, são neoliberais...

“Todas as ong´s concordam que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe, parecendo ignorar que, para quem está com fome, o importante mesmo é comer o peixe.”



O projeto neoliberal, no Brasil e no mundo, prega que os Estados devem abominar o assistencialismo, não devendo ser arrimo dos pobres. Ou seja, os Estados devem ser mínimos, no que toca à assistência social. Por isso os recursos que deveriam ser destinados a suprir as necessidades dos mais pobres e garantir-lhes a sobrevivência, são investidos em Ong´s cuja missão é ensinar aos pobres como resolverem sua própria situação.

A coisa acontece assim: A Ong recebe uma verba X do governo, ou de investidores particulares, e tem de repassá-la aos necessitados que atende. Mas o repasse não acontece de forma concreta, pois as instituições raramente entregam ao seu público alvo os produtos básicos para solução imediata de seus problemas também básicos. Isto é, ao invés de repassar, por exemplo, a um sujeito responsável por uma família de quatro pessoas, os mantimentos necessários para que sobrevivam por um período e, paralelamente, lhes fornecer capacitação profissional e passe livre para circular pela cidade, as ong´s costumam entregar somente a capacitação. Esta última costuma ser composta de palestras e mini cursos que, em geral, abordam conhecimentos que deveriam oferecer subsídios para que o trabalhador se organizasse financeiramente, mas que se mostram tão abstratos e ineficientes que mais parecem cursos de auto ajuda.

Nem todas as ong´s são ineficientes no que concerne à formação dos sujeitos para “pescarem seu próprio peixe”, mas todas elas dizem, numa só voz, que é melhor aplicar recursos na capacitação de empreendedores, uma vez que sua simples distribuição faria com que as pessoas se tornassem acomodadas, acostumadas a receber sem trabalhar, as tornaria “mimadas”. Todas as ong´s concordam que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe, parecendo ignorar que, para quem está com fome, o importante mesmo é comer o peixe.

É necessário que percebamos de uma vez por todas que os verdadeiros mimados são os ricos, pois são os verdadeiros pais e filhos do Estado burguês. São eles os acostumados a receber e não a trabalhar, e as ong´s são neoliberais por que aceitam e propagam o Estado mínimo – uma vez que o Estado “máximo” seria assistencialista – daí as ong´s serem tão aceitas pelo poder público e empresários (e, estes últimos, são os verdadeiramente assistidos por políticas assistencialistas, políticas protecionistas, pelo “Estado máximo”).

MASSACRE DO CARANDIRU


ROTA 66 - A História da Polícia que Mata - Entevista


ROTA 66 - A História da Polícia que Mata


COMO FAZER REPORTAGEM


segunda-feira, 3 de julho de 2017

SOBRE AS NOVAS FAVELAS DE RESTOS DE MADEIRA

SOBRE AS NOVAS FAVELAS DE RESTOS DE MADEIRA QUE SURGEM EM SP A CADA DIA E O DESPREZO QUE SOFREM POR PARTE DOS "MOVIMENTOS DE MORADIA".
 Bristol e Savério.


É muito triste ver pessoas que há trinta anos atrás estavam morando em barracos de "resto de madeira", em terrenos ocupados e, por isso, pagando todo veneno do mundo, condenando os que hoje fazem o mesmo que eles fizeram há trinta anos quando formavam o "movimento de moradia", e construíram suas moradias "permanentemente improvisadas".
Triste também é perceber que os de trinta anos atrás esqueceram-se de seu passado e presente como favelados. Acham que favelados são somente aqueles que moram nos barracos fabricados com restos de madeira. Hoje condenam aqueles que fazem exatamente o mesmo que eles fizeram.
Quem ocupa um terreno e constrói um barraco não faz por ostentação nem outro motivo qualquer, faz porque a necessidade é muito grande.
Quem fica a falar que as pessoas pegam terrenos para vender, esquecem-se que isso também acontecia há 30 anos e nem por isso invalidavam o movimento.
Por mais incrível que pareça os movimentos de moradia dividem os pobres entre os que merecem e os que não merecem ter acesso a uma casa de alvenaria articulada pelo "movimento". Isso chama-se MERITOCRACIA (um dos piores álibes do capitalismo).
NOSSA SENHORA DA MORADIA ROGAI POR NÓIS FAVELADOS, livra-nos dos egoístas e da PM ou GCM carniceira que os egoístas apoiam.

domingo, 2 de julho de 2017

María Pepe Pueblo





Em breve, María Pepe Pueblo:



"No soy la tipa que deja la línea.

Antes de soltar el hueso
yo
desciendo
en el
fondo
del
pozo
seguro con las manos
mantengo los dedos
y fijo
a las uñas muy firmes
en el carrete de los sueños."


Edição bilíngue do livro Maria Zé Povo dos Santos.

Quer um?

Colabora conosco:

https://www.kickante.com.br/campanhas/ajuda-para-onde-escondemos-o-ouro

SALVE FAVELA: Mar Burguês. Será que o mar é salgado?

SALVE FAVELA: Mar Burguês. Será que o mar é salgado?: Pra meu amor.



colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro Todo mundo já sabe: deu feriado prolongado a classe média e a b...

SALVE FAVELA: PROIBIDO ROUBAR POBRES: Salve Geral do PCC

SALVE FAVELA: PROIBIDO ROUBAR POBRES: Salve Geral do PCC:  



colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro E o PCC vai ter dado mais um passo na direção da revolução – essa que só pode...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Nayane Teixeira - menina fantástica hot dog

A voz do povo é a voz de Deus. O ditado popular já diz.
Mas não pra rede bobo.
 Quase oito anos depois, finalmente, escrevemos sobre a menina fantástica eleita pelo voto popular que os jurados da rede bobo não deixaram passar.
Nayane Teixeira, única candidata negra entre tantas, foi sistematicamente eliminada domingo após domingo no odioso Fantástico (é... naquele tempo eu assistia). No último dia, quando ela finalmente iria ser a vencedora (pelo voto popular), os jurados simplesmente resolveram a eliminar.
Assim. Sem maiores explicações.
A única negra entre a bonecas-barbies-brancas, foi eliminada sem maiores explicações.
Aliás, mesmo que explicassem, não convenceriam. A maior parte da população "votante" escolheu a pretinha... Nenhuma explicação "técnica" seria convincente nesse contexto.
Abaixo, reproduzimos o vídeo de sua eliminação e o engano que a deixou ainda mais simpática aos olhos do povão.
Nayane. Força. Continuamos com você.
colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro

terça-feira, 20 de junho de 2017

Contratado

20 conto o dia.
O sol no globo.
A chuva na moringa.

Dava pro café.
Dava pra coxinha.
Leite-moça, pão, farinha.
Daria pra motocicleta
um dia.

Avozinha da janela
cuidava de sua vida.
Ganhava 70 paus
num dia de faxina.

E a gente sonhava ser
entregador de pizza.

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Onde escondemos o ouro

Afinal, pessoal, escrever e publicar são atos de resitência.
Me apoiam?
sua foto do perfil, A imagem pode conter: 1 pessoa, no palco

https://www.kickante.com.br/campanhas/ajuda-para-onde-escondemos-o-ouro



Última música do Sabotage. Último livro de Carolina


colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro


Todas as nôistes eu dava duas viagens. Eu ia de bonde, e voltava a pé com as tabuas na cabêça. Treis dias eu carreguei tabuas dando duas viagens. Dêitava as duas horas da manhã. Eu ficava tão cançada que não conseguia dórmir. Eu mesma fiz o meu barracaozinho. 1 metro e mêio por um metro e mêio. Aquêle tempo eu tinha tanto mêdo de sapo. Quando via um sapo gritava pedia socorro. Quando eu fiz o meu barracão era um Domingo. Tinha tantos homens e nenhum auxiliou-me sobrou uma tabua de quarenta centimetro de largura era em cima dessa tabua sem colchão que eu dórmia.”

Carolina Maria de Jesus. Onde estaes Felicidade? Disponível em <http://www.mepario.com>

“Brooklyn, o que será de ti? Regar a paz, eu vim
Jesus já foi assim, brigas traz intrigas, ai de mim
Se não tolin, zé povim quer meu fim
Se esperar, apodrece, se decompõe
Se a gente faz, corre atrás, pede a paz, eles esquecem
Sempre assim, crocodilo hoje só rasteja em solo fértil”

Sabotage. Canão. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=WF7LLl7r4Os>

Pergunta inicial: Quilombo ou Senzala Moderna?
Sabemos bem que a urbanidade tem sido fator de muitas mudanças sociais ao longo da história. O êxodo rural no Brasil, por exemplo, foi certamente um dos grandes responsáveis pelo fenômeno do surgimento das favelas – esses aglomerados de casas, pessoas e sonhos ora invisíveis, ora descritas na literatura como componentes de um cenário nacional fadado ao fracasso – dada sua composição étnica de grande ascendência negra.
As favelas, do ponto de vista cultural e linguístico, são uma enorme e constante fonte de renovação, por isso são tidas, por alguns, como verdadeiros quilombos renascidos com a missão de desmontar o esquema político, econômico e cultural que, apesar dos mais de cem anos de abolição da escravatura, nos tem mantido escravos e escravas, em determinados aspectos de nossas vidas.
Há ainda um outro ponto de vista sobre a favela que tende a focar as relações econômicas e que, sem se contrapor à visão revolucionária de “quilombo moderno”, insiste em pensar a favela também como “senzalas modernas”, já que as comunidades faveladas reúnem a grande massa trabalhadora que continua a ser o principal motor econômico do país.
Com efeito, essa enorme massa trabalhadora/consumidora faz os olhos da economia se voltarem para esse “mundo favelizado”, o qual, segundo Mike Davis em Planeta Favela, já se configura como mais da metade do globo urbano. Como resultado disso, há o surgimento e fortalecimento de diversos movimentos advindos da periferia, sobretudo os de cunho cultural, como escolas de samba, os times de várzea, o Hip Hop e os saraus.

Entre Canindé e Canão, neguinho e neguinha zika

Mas, antes mesmo de entrar na “moda”, se pode dizer que a favela teve seus representantes ilustres: figuras de impressionante talento e que serviram de inspiração para as novas gerações, como Carolina Maria de Jesus, a escritora, e Mauro Mateus dos Santos, Sabotage, o maestro da Canão. Podemos dizer que, entre ambos, há muito mais do que o óbvio (suas peles negras, sua classe social, sua vivência na favela e o destaque que ambos alcançaram no mundo das artes). Podemos enumerar uma série de outras semelhanças, como as fortes personalidades, a alta resiliência e a forma como ambos escreviam: uma escrita fraturada e urgente.
A palavra zika, antes de referir-se a um dos vírus transmitidos pelo mosquito aedes aegypti, significava, na gíria das favelas paulistanas do final da década de 1990, azar, coisa ruim a ser evitada. Atualmente, o termo engloba este e, curiosamente, um outro significado oposto ao seu original: zika, na gíria das novas gerações é algo extremamente bom, melhor do que tudo, equivalendo aos termos “top” (super) e “chave”, “muito louco” ou “cabuloso”. Sendo assim, ser neguinho, neguinha zika, é ao mesmo tempo incomodar e despertar admiração – sentimentos que Carolina e Sabotage despertaram e ainda despertam.
No caso de Sabotage, “neguinho zika”, nas duas acepções que esta expressão atualmente engloba, talentoso rapper apelidado de “maestro do Canão”, ele parece levar para a ponta da caneta o free style, o canto improvisado mas extremamente denso. Seu rap vem preenchido de favela, de luta por sobrevivência, fraternidade, ira e uma cadência rítmica que nos embala e nos leva para dentro de seu “bom lugar”. Carolina, por sua vez era também o que hoje se pode chamar de “neguinha zika”: ciente e orgulhosa de sua negritude, disposta à luta, à briga e a ajudar a quem lhe pedisse apoio. Ambos foram personagens altamente inspiradoras para o que hoje é o Movimento Hip Hop e a Literatura Negro-Periférica.
Nascida em Sacramento (MG), Carolina, a nossa “neguinha zika”, completaria 103 anos em março, se estivesse viva. Aos 33 iniciou sua via sacra caminhando durante dois meses, de Sacramento a São Paulo, cidade onde viveria e trabalharia até sua morte, em 1977. Autora do best seller Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, Diário de Bitita e Onde estaes Felicidade?, dentre outros livros, Carolina deixou registrado o seu cotidiano na extinta Favela do Canindé, o trabalho de catadora de papel, a fome, as dificuldades em ser mulher negra e mãe solteira numa cidade opressora, parideira de misérias. Enquanto lutava pra sobreviver e sustentar a família, Carolina escrevia pra viver, pra manter a sanidade mental e a integridade da alma numa cidade que se “modernisava” e onde sequer restavam porões para as pessoas pobres morarem, tal qual a autora narra no seu último livro Onde estaes Felicidade?(Edições Me Parió Revolução, 2014).
Sabotage era o nome artístico de Mauro Mateus dos Santos. Paulistano, nascido em 13 de abril de 1973, na Favela do Canão – eternizada em suas canções – o rapper, antes de se firmar enquanto artista, trabalhou como comerciante varejista de drogas e tinha uma aparência, por assim dizer, “pouco valorizada”: preto de último tom e sem os dentes da frente, extremamente magro e com dreads espetados na cabeça, como se quisessem alçar vôo, fazer jus à personalidade que os carregava. Sabotage era o neguinho zika, mas seu talento, como o de Carolina, enchia os olhos e encheu os bolsos de muita gente com tino empresarial. Ele cantou com muitas parcerias diferentes, participou de inúmeros programas de TV e atuou em três filmes: O Invasor, Carandiru e um documentário sobre sua vida. Foi assassinado em 24 de janeiro de 2003, a caminho do Fórum Social Mundial. Um dia antes, havia gravado a música Canão, onde parece se despedir de nós, do Canão e do Zé Porvim que quis seu fim. Mas o maestro do Canão não morre. A poeta do Canindé também não. Suas obras e condutas não permitem o esquecimento.
Quilombo ou Senzala moderna, do ponto de vista histórico, as favelas ainda são recentes, mas já reúnem fatos e personalidades capazes de mudar os rumos do país. Carolina e Sabotage nos inspiram.


sábado, 17 de junho de 2017

PROIBIDO ROUBAR POBRES: Salve Geral do PCC

 





Se o salve abaixo for verdadeiro PCC vai ter dado mais um passo na direção da revolução – essa que só pode partir de quem já não tem mais nada a perder.
E os coxinhas com catupiry de plantão vão dizer o quê?

Abaixo reproduzimos o texto na íntegra


São Paulo 13 de junho de 2017 , uma Boa noite um forte abraço com total respeito de coração  família.
Por meio dessa mensagem veio comunicar a todos do estado de são Paulo...
Desde o início do ano passado o nosso país veio tendo uma frequente lotação nos presídios de todo Brasil CADEIA E LUGAR DE BANDIDO , e não lugar de sem futuro que por meios de emoção vem atracando na população. Todos os ladrãozinho de comunidades porta de buteco de quebrada de telefone de moto. O Aviso e o seguinte o Primeiro comando da capital não está mais apto a ficar resolvendo buxixo destes tipos de acontecimento. Ladrão e aquele que rouba de onde tem dinheiro e não dá onde precisa entra dinheiro, com esses tipos de roubo aumento o sistema carcerário. Nós do PCC temos o que fazer nossa luta contra o sistema pela operação dentro e fora dos presidios é uma luta muito constante pois tem homens dedicados a sofrer dentro do presídio para manter o nome da facção. Todos os irmãos do PCC e companheiros tem o que fazer todos estamos focados em progueco e não nesses tipos de buxixo, então montamos um tabuleiro e aqueles que tiver evidências e encaminhados paras as ideias com esses tipos de situações irá pagar com a própria vida em cima da prova concreta pois a meta do comando manter a paz e manter a igualdade para todos pois com essas situações perdemos diversos companheiros e integrantes de nossa facção então que kizer ir contra a lei do comando vá... Pois já está bem claro o que será acontecido não queremos o mal para ninguém pois hoje todos sabem o que fazer. Se for para ganhar nome de bandido faça igual políticos se tiver que cair caia mais num B.O onde seu negócio vai ser lembrado e não em um crime onde irá atrasar país de famílias moradores. Esse salve e para todas as comunidades do estado de são Paulo e para todos os estados que habitam nossa facção vamos correr pelo certo.
AQUI NAO E CONSELHO, PORQUE SE VC CONSELHO FOSSE BOM SE VENDIA .
AQUI É UM SALVE DO PRIMEIRO COMANDO DO BRASIL ENTAO RESPEITE

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Mar Burguês. Será que o mar é salgado?



Pra meu amor.

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Todo mundo já sabe: deu feriado prolongado a classe média e a burguesia desce a serra, pisa a areia e vai se livrar da uruca, do perrengue financeiro, das crises existenciais e de relacionamento tomando banho de mar. Se calhar cabe ainda um petisco, uma cerveja, uma ida ao Shopping e talvez até continuar comendo em restaurantes.

Enquanto isso, entre os pobres é comum pessoas que nunca conheceram o mar. Aquele marzão sem fim, com cheiro de sal e mariscos – quando não esgoto e peixe podre, é um velho desconhecido de tantas pessoas que esse fato nem deveria causar constrangimentos.

Mas causa.

A privação do conhecimento e a insegurança de não ter o que contar, como quando éramos crianças, nos fazem perguntar... será salgado mesmo???

A simplicidade, a ingenuidade da pergunta, por vezes, me faz desabar.

Aquele marzão é feito de lágrimas, pai, mãe.

Aquele marzão é feito de nossas lágrimas.

Lágrimas de classe.

Trabalho de nossa classe.

Privação.

Saudade.


Parodiando Fernando Pessoa, eu diria:


Mar burguês 




Até ficar bom pra tod@s

Não tá bom pra ninguém não
Ferréz



Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas do meu quintal!?
Para os burgueses se banharem, quantas nanás choraram,
Quantos meninos em vão rezaram!?

Quantas pessoas ficaram por casar
Para que fosses deles, ó mar!?
Valeu a pena? Nada vale a pena
Se a classe não é serena.

Se querem passar além do Riacho
Têm que pagar mais que pedágio.
Deus a nóis o perigo e o abismo deu,
Mas neles não espelhou o céu.









sexta-feira, 9 de junho de 2017

Quem manda no país é o Cunha



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Enquanto o dito cujo estiver preso, humilhado, ninguém fica no poder.

Ele é o maior detentor das informações que podem detonar com gigantes.

Porquê ninguém pediu delação premiada pra ele?

Será que a caguetagem dele é mesmo a “delação do fim do mundo”?

Como todos sabemos, Cunha é o sujeito, entre os envolvidos na questão da corrupção que assola o país, que mais reúne características de um psicopata: não admite ser subestimado, se acha inteligente, não tem empatia e taca-lhe pau em dossiê de meio mundo. Difícil pensar nele convivendo com alguém sem tirar nem uma fotinha.

Sendo assim, todo o mundo da política, não só brasileira, anda cagando de medo dele.

Mas o que é pior pra os medrosos? Soltá-lo ou deixá-lo preso?

Pro pensamento mais ignorante, o melhor é que ele seja preso. No entanto, raspa o cabelo dele pra você ver? Com a vaidade aflorada, ele solta o verbo: Pode me chamar de ladrão, de estuprador, covarde, feminicida, racista, homofóbico… só não me chama de careca! Aí eu não admito!


Hospital Amparo Maternal - SP




O amparo e o desamparo




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O hospital Amparo Maternal sempre divide opiniões: As mulheres que têm um parto tranquilo elogiam: puderam ser acompanhadas, seus bebês nasceram saudáveis e chorões. Por outro lado, aquelas que passam dias em trabalho de parto, com quatro dedos de dilatação, vários citotex e muita, muita contração, pensam diferente.

O suposto parto humanizado torna-se desumano. Parece bem uma forma de dizer ao governo que ele está errado ao forçar a diminuição de cesarianas. O governo está certo: o parto cirúrgico não deve ser a primeira opção. Entretanto, fazer uma gestante sofrer dias a fio com um parto natural que não acontece é de uma maldade sem tamanho.

Você já sentiu as dores de um parto? Sequer imagina como é? Se não sabe, nem queira: ganha mil vezes daquela sua dor de dente do diabo.

A pergunta é: Até quando?

Até quando nossas mulheres serão submetidas à tortura (crime hediondo e inafiançável) desnecessária?

Nesse momento, por exemplo, estamos angustiados acompanhando o trabalho de parto da Bia, filha da comadre Ana Paula. Há exatos quatro dias ela grita de dor esperando por um parto que não avança.

Talvez, além de quebrar tudo, devamos acionar o ministério público e todos os órgãos de proteção aos direitos humanos e das mulheres em especial.

Repetindo: tortura é crime hediondo e inafiançável.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cor de burro quando foge


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Cor de burro quando foge.

Eu sou.

Antes eu achava que era mestiça (a lenda das três raças fundadoras do povo brasileiro, lembra?).

Depois de um pouquinho de formação política descobri que era “parda”, cor de burro quando foge, branca suja. Um ser destinado a colher certos privilégios derivados de estupros, cárceres privados e acasos genéticos.

Diante dessa verdade insuportável, e compreendendo que me admitir não-branca ou não-negra consistia em um emcimadomurismo baixo, decidi então que sou, definitivamente uma mulher negra. Casei com um homem negro e minhas meninas usam black power.

Entretanto – sempre há contradições, se lembram? Estamos no Capitalismo – minha negrice desbotada, meus olhos que, diante da luz se desdobram num verde-amarelo de girassol castanho, causam estranhamento e contestações tanto de pessoas negras quanto brancas.

Então, vou dizer uma coisa: Se uma mulher negra, de pele escura, vier me dizer que eu eu não sou negra e não deveria, portanto, reivindicar direito a cotas, nas universidades, por exemplo, procurarei não contrariar. Não que eu já tenha sido beneficiada com cotas para negras alguma vez, não oficialmente. Mas admito que o desbotado da minha melanina diminui o impacto do racismo e permite até que eu tenha certos privilégios que as mulheres de pele efetivamente escura não têm.




Um bom exemplo desses privilégios é a “boa aparência”, mais próxima do fenótipo branco, portanto, menos discriminada. Então, aceito as críticas das irmãs negras.




Mas… sempre tem um senão… Se uma pessoa branca vier me dizer que não sou negra, aí o bicho pega… aí eu vou querer que ela divida comigo todos os privilégios que como “não-negra” eu teria direito. Vou querer nunca ter sido discriminada pela cor da minha pele, nunca ter desejado cabelo liso e loiro e me mutilado por isso, nunca ter passado fome, nem morar na favela. Vou querer que meus parentes não tenham sido assassinados pela polícia e que meu salário corresponda ao padrão de salário de homens brancos.






Se achar que eu sou branca… trata de mandar de volta os privilégios que me foram negados.

Estreia de Karen Souza, nossa correspondente na Nigéria

Aprendendo a nadar com a mãe Vida

Depois de um longo, difícil e estressante dia de trabalho, a esposa chega em casa e desabafa sua frustração no colo do marido que, sem rodeios, lhe diz:
"A culpa é tua que as coisas tenham chegado a esse ponto. Teria sido muito melhor se você tivesse feito assim e assado, como eu te falei. Vai achando que eu vou passar a mão na sua cabeça."
Vida de gente adulta é dura.
Sem querer fazer drama (já fazendo), lembro-me das vezes que apanhei de outras crianças na rua e voltei pra casa aos berros, crente que receberia um colinho de mãe, um beijo pra sarar a ferida, e que logo em seguida a ouviria me perguntar: "Quem fez isso com você?"
Doce ilusão.
Levava uma bela bronca por não ter me defendido, e ainda a ameaça de apanhar também dela da próxima vez que voltasse chorando pra casa.
Vida de criança é dura.
Sem querer fazer drama (já fazendo), lembro-me também de um sonho. Todo mundo já teve esse sonho. Eu estou me afogando no mar, minha mãe está sentada na areia da praia e me olha com um sorriso na cara enquanto grita:
"Continua! Isso! Assim mesmo!"
Engulo água. Mamãe some e reaparece no meu campo de visão, enquanto luto com o mar tentando me manter na superfície. Penso que chegou minha hora.
"Isso, você está indo muito bem! Esta nadando filha!"
"Eu to morrendo mãe! Me salvaaaaaaa!" Eu grito sem ser ouvida. E ela lá na praia, sorrindo orgulhosa e indiferente ao meu sofrimento:
"Isso! Vai! Continuaaa!"
Essa vida tem mesmo um jeito estranho de ensinar seus filhos a nadar. Continua a zombar do meu desespero, e me olha orgulhosa, sentada à beira mar:
"Isso filha! Assim mesmo! Você está nadando!"

domingo, 4 de junho de 2017

O poema sensacional e o sensacionalista




A wikipédia define Sensacionalismo como um tipo de viés editorial em que os eventos e temas são exagerados para aumentar os números de audiência ou de leitores. Segundo a enciclopédia, alguns sensacionalistas usam a tática da emoção, sendo barulhentos e autocentrados, com o objetivo de obter atenção.
Já “Sensacional”, por sua vez, é definido pelo dicionário online como algo extraordinário, que não é comum, é espetacular ou maravilhoso. Na teoria. Por extensão, podemos então considerar que o sensacional é talvez o oposto do sensacionalista: solidário, por vezes silencioso e solitário.
Na prática, há uma linha tênue entre um e outro. É como a velha confusão entre Ética e Éter. Embora ambos comecem com o ETÊ, não se pode afirmar que sejam ambos os termos alienígenas de um mesmo ponto no universo, ou conterrâneos da cidade de Varginha.
Entretanto, o que atrai no sensacionalista é parente do éter: apela para as emoções, tira as possibilidades de defesa racional e coloca o coração na frente do cérebro, mesmo que ambos estejam imersos num mar de enganos. O éter do poema sensacionalista desvia nossa atenção para o micro e veda nossa compreensão do macro. Ao final, aplaudimos a performance e pouco importa se o potencial de mudança é destruído na catarse, nos aplausos, na sensação de dever cumprido.
O poema sensacional, por seu turno, fala baixo, cadência capenga e exige foco de quem o ouve. Ele aposta  na cadência baixa do coração em silêncio, fala pausado e sem grandes variações de tom e volume. O poema sensacional se apoia em pessoas verdadeiramente engajadas e sensíveis - que como eternos Cristos, diariamente nos montes das quarentenas, precisam repetir sonoros nãos. Como disse o Ferréz, pessoas que não compraram os planos de negócio burgueses.
O poema sensacional coloca ainda uma pulga, um incômodo debaixo da pele que vai minando as certezas e abrindo espaços para rumos revolucionários.
Tenhamos cuidado.
O lobo veste pele de cordeiro, para devorar otári@s.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A justiça de olhos vendidos




O amigo da minha filha, com apelido de jogador famoso de futebol, está preso há cinco anos porque desesperou-se e foi conferir se era mesmo o companheiro de infância que jazia assassinado no meio da avenida. Acusado de chefe da quadrilha que tentou assaltar um PM, o companheiro de classe amarga o sol em quadradinhos – quando há – no x da questão.

Enquanto isso, na sala de justiça, o abominável aécio das neves, caminha de um lado a outro no angustioso espaço do lar. Quase livre das justiças, tenta livrar os parentes das medievais masmorras do nosso sistema prisional.

O abominável monstro das neves teme por ele e pelos parentes.

Mas Temer, tanto faz: dá de ombros. Mantém a pose e continua espalhando mijo e bosta nos currais.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A P2 (serviço de “inteligencia!” da polícia) seus boatos irresponsáveis e o PCC

ESSAS SIM SÃO CRIANÇAS DESAPARECIDAS EM SP CAPITAL. MAIS 2000 POR ANO!!!



A P2 (serviço de “inteligencia!” da polícia) seus boatos irresponsáveis e o PCC

Não é particularidade do Parque Bristol que vez ou outra escuta-se um burburinho afirmando que crianças estão sendo roudadas na quebrada, pricipalmente próximo das escolas. Como sabemos esse tipo de burburinho já foi responsável por pelo menos uma vítima de linchamento público. Sabemos também que aqui no Parque Bristol tivemos um único caso de um menino de cinco anos, há cerca de 25 anos atrás. Tal notícia espalhou-se pelas imediações e ainda hoje é comentada em nas rodas de conversa. Sua mãe percorreu o bairro durante amuito tempo, colando cartazes à procura de alguam pista, mas até onde sabemos, seu filho nunca foi encontrado.
Os burburinhos, ou boatos, sempre sugerem que um dos motivos para os supostos roubos de crianças seria a extração de órgãos humanos para serem vendidos. Na era da internet tais boatos voão em altíssima velocidade e usam principalmente a plataforma do Zap Zap deixando-nos num pânico só. Então, na última onda de boatos, entendemos que deveríamos ir até os locais dos incidentes e investigar os fatos.
Porém já no primeiro local visitado (escola José do Patricínio) tivemos uma surpresa: conversando com a população do entorno e com funcionárias da escola, fomos informados de que, na verdade, uma criança havia sido roubada em outro bairro, numa escola chamada Álvaro de Souza Lima. Assim, partimos pra lá e, de novo, as informações colhidas apontavam que o crime teria acontecido não ali, mas sim na rua José Pereira Cruz, próximo à EMEF Hercília. Como, a essa altura já era de se esperar, lá também negaram o roubo de crianças e indicaram outra escola (Júlia Colaço França), onde, obviamente obtivemos o mesmo tipo de resposta.
Como se vê, os boatos seguem um determinado padrão: os supostos cirmes aconteceriam sempre nas imediações de uma escola, não se sabia nunca o nome das crianças “roubadas”, nem seus endereços, nome de familiares ou vizinhos da criança e, por fim, nunca havia detalhes sobre a indentidade dos “culpados”.
“Só” essas inconsistências já despertaram em nóis certa desconfiança dos boatos. Porém , o ponto primcipal que nos fez desacreditar de vez dessa conversa fiada foi quando os áudios do zap passaram a culpar o PCC por serem os responsáveis pelo sumiço das crianças e venda de órgãos. Gente, todo mundo sabe que o PCC vende drogas, não órgãos. Além disso, seus membros têm família e se preocupam com suas crianças como todos nós. Esse tipo de terrorismo, felizmente, não é característico desta facção.
Logo, quem quer que esteja começando esses boatos, ao tentar jogar a população contra PCC, só faz confirmar uma coisa: são boatos.
E a quem interessa difamar dessa maneira a um grupo que é diretamente responsável pela redução de 80% das mortes em SP Capital e, por isso, tem o apoio popular? À polícia.. às autoridades “oficiais”, à coxinharia de plantão, etc....
Conclusão: P2, tá faltando inteligência nessa parada!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Política de Segurança

"A matemática, na prática, é sádica.
Reduziu meu povo a um zero à esquerda, mais nada.
Uma equação complicada onde a igualdade é desprezada"
GOG

I


Seis peixes dourados num aquário
diminuto como o mar é imenso.
Ao menos
não tem tsunami,
tubarão
boca aberta e os dentes.

Só o gato
brilha o olho o dia todo
e vira e mexe
bota as garras de molho.

II







Trinta peixes num aquário
diminuto como o mar é imenso.
Intenso, o  farol de gato
mira os ratos
cinzentos.

Vira e mexe o aquário explode
o caldo entorna e os peixes
saem todos correndo.



domingo, 5 de março de 2017

João Victor (era eu) somos nós


colabore com nossa campanha onde escondemos o ouro








Quando eu era criança pedia esmolas na rua.

Pedia porque mamãe trabalhava, papai trabalhava, mas a vida em São Paulo era apenas um pouco melhor que em Milagres (segundo contaram meus pais). Então, no início dos anos 1980, nossa trupe de meninas e meninos saía dali de pertinho do Buraco do Sapo, cruzava a Cupecê e desembarcava em Moema, Ibirapuera e outros lugares mais verdejantes que o velho Jardim Miriam.

Eu era pequena, por isso, levada pela mão. Algumas vezes, por ser das menores, ficava incumbida de fazer a cara de miserável mais miserável do que a indiferença via e pedir a comida de sobra das famílias bem sucedidas.

Muitas vezes funcionava.

Voltávamos para casa alimentadas e carregadas de brinquedos que ninguém mais queria, roupas, calçados e até algum dinheiro. Às vezes algum dinheiro vinha.

Quando mamãe descobriu proibiu. E então nos resignamos na nossa pobreza.




Nem uma nem duas nem três. Mil vezes corremos desesperadas do SOS Criança, de cobradores com raiva, vigilantes com medo.

Crianças, nós ríamos. Crianças, nós corremos.

Felizmente tamo aqui ainda.

Ainda viva, gente.

Ainda viva…




Já pensou seu eu trombasse um habbib’s?

Ou se um daqueles outros me pegassem???

Era osso.

Foi osso.

Será osso toda vez que pessoas tenham que pedir esmolas e outros tenham que matar quem tem fome.



João Victor, sua história era a nossa.

Só que nós sobrevivemos… não sobrevivemos?

E você… nunca mais vai sentir fome.



Não é simples assim, eu já sei...  mas se permitam sentir um pouco de vergonha (esse sentimento revolucionário e pouco afeito a coxinhas e otários), pois a  História, como um novelo dialético de lã, vai e volta. Uma hora faremos justiça aos nossos ex-futuros homens.

Nós, as mulheres e homens, ex-crianças, na rua desse lugar sem nome, um dia te faremos justiça (justiça social, que se diga).

É o plano.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Sobre a natureza histórica das coisas




E a natureza das coisas

calou-se



e foi porque não sustentava-

se a nenhum olhar humano



como o rap não escrito

o soluço não ouvido

a chapinha esquentada

sem cabelo pra chapar



a natureza das coisas

calou-se

justo quando entendemos

que ela era o osso

enterrado nos escombros

únicos e húmidos

do olhar humano.


Prefeitinho branco de leite em pó


Caro senhor prefeitinho,


Sabe a história da branca de neve, não é? “Claro” que sabe. Rapunzel e o kibungo eram histórias impensáveis pra você na sua infância de família abastada.

Prefeitinho, prefeitinho… sabe a bruxa malvada que leva a maçã à princesa protegida por seus sete homenzinhos de confiança? Então. Essa bruxa somos nós, pais e famílias cujos filhos e filhas estudam na rede pública. Sou eu, mãe de três meninas que recebiam leite em pó em casa e nunca mais vão receber porque você dormiu bem naquele ponto onde o povo se esgota de esperar o ônibus e o desgraçado não vem.

Quem disse ao senhor, prefeitinho branco de leite em pó, que pode retirar um direito das mães e pais de família sem sequer nos consultar?

Sabe, prefeitinho branco, nós pagamos por esse leite. Ele não nos é dado de graça. Não é caridade do seu governo.

Então, se quiser destinar nosso dinheiro a outra coisa, faça o mínimo: pergunte onde queremos investi-lo. Vai que a gente escolhe um vale-frutas e legumes e carne – coisa rara na nossa mesa. Ou, o que é mais provável, vai que a gente escolhe que você tire dinheiro de famílias ricas como a sua para devolver aos mais pobres do país.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras de nossa cidade, queremos o leite de nossas crianças de volta.

Devolva, ou aprenda, finalmente a lidar com bruxas e maçãs envenenadas. Não as do conto de fada...as malvadas que fazem greve, piquete, contrapropaganda e passeata.

Seus homenzinhos vão surtar de raiva quando te verem na lona.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Prefeitinho branco, prefeitinho cinza.

Caro senhor prefeitinho,

                                  a cidade de São Paulo anda cada vez mais cinza, graças à sua sem-gracisse de querer ficar enxugando gelo, apagando assinaturas, tags e retratos puros do caos que o sinhozinho preside.

Caríssimo senhor prefeitinho, o pixo no muro recria o intangível talento do povo preto, pobre, oprimido, em causar a angústia – efeito colateral do seu sistema branco e cinza. Liga?

Então, faz o seguinte, aceita meu conselho humilde: deixa o graffitti rolar… e o pixo… preocupe-se com ameaças mais garantidas de se resolver, como desfazer a imagem ruim que o sinhozinho deixou quando chamou seu eleitorado de idiota (não são idiotas… vocês é que são bons em marketing, caramba! Para de falsa modéstia!).

Prometo, senhor prefeitinho, que se a cidade mantiver seu colorido, ninguém mais vai grafitar pé-de-pato, nem @monstrobobinho. A partir de agora é só Black Panters, Cangaço Urbano e Feminismo.

Prometo ainda que pararemos de chamá-lo de prefeitinho cinza (eu sei que o senhor prefere o branco).

Tamo combinado, senhor prefeitinho?

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O diabo é a ideologia




O diabo é a ideologia


Quarta-feira Santa.
Dia de enfrentar o jacaré
preso na nuvem. último
resquício de nosso polipassado
de mata atlântica.

Aqui no baixo
as pedras 
trituram cabelos
e senhas.

Quarta-feira Santa.
Dia de entortar a lança
que interrompe meus meninos
de domingo a domingo
sozinhos
com a bala que voa, diet
entre a farda e o feitiço de classe.

O diabo é a ideologia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Você sabia? Esta guerra não é entre facções


Alcaçuz, Manaus e Roraima. Você sabia? Esta guerra não é entre facções


As notícias correm mais soltas do que os prisioneiros em fuga da prisão de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, palco de uma das sangrentas chacinas, inúmeras e recorrentes violações de direitos, rebeldia e túneis cavados na areia. Sob as barbas feitas e as mãos bem lavadas dos nossos governantes, desde o dia 14 de janeiro, batalhas mortais têm sido travadas entre membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a facção recém apresentada ao país Família do Norte (FDN), aliada do Comando Vermelho.
A mídia fala o tempo inteiro em “guerra entre facções” e o país assiste atônito à suposta incompetência das autoridades em interferir e finalizar os conflitos. Entretanto, o que vemos em Alcaçuz e outros presídios de Manaus e Roraima não é uma guerra entre facções, mas uma faceta da luta de classes que permite ao Estado omitir-se, violar leis e ainda fingir solidariedade às famílias das pessoas assassinadas.
Essa tragédia nos lembra o tempo em que no Parque Bristol, periferia de São Paulo, as crianças jogavam bola ao lado de cadáveres. Tão perto que, se pudessem se levantar ainda, certamente eles dariam uma cortada no vôlei, ou um chutão na trave de pedras. Isso porque mortes violentas faziam parte do nosso cotidiano e o rabecão, sempre lotado, demorava pra chegar e transportar os corpos. Desde essa época, por volta de 1980, a mídia já tratava os conflitos ocorridos nas periferias de São Paulo como “guerra entre gangues” e “disputas por pontos de venda de drogas”.
Mas, eis que um dia surge o PCC – uma organização de pessoas aprisionadas voltadas à luta por direitos, pelo cumprimento das leis relativas à prisão (Oh! Paradoxo. Será mais uma das contradições do capitalismo?) e proteção de seus integrantes e familiares. O PCC foi resultado do abandono, da falha do Estado e da Sociedade, os quais enxergam a justiça pelo viés da vingança – ignorando deliberadamente todos os acordos mundiais relativos à garantia de Direitos Humanos, sempre festivamente assinados pelo Brasil.
Eis também que, contrariando todas as expectativas, o grupo de “pessoas criminosas” estancou a sangria periférica, estabeleceu leis, códigos de ética e de conduta dentro e fora das penitenciárias, diminuindo o número de homicídios em 80% no Estado de São Paulo. (Não. Geraldo Alckimin e sua PM não têm cacife para tanto e nem estão interessados em frear o genocídio contra o povo preto, periférico, que continua em curso desde a abolição da escravatura – afinal, sonhava-se um Brasil branco e capitalista.)
O sociólogo Clóvis Moura, em seu livro O negro na sociedade brasileira (1988), afirma que no Brasil houve um projeto de formação populacional que visava ao embranquecimento da população brasileira por meio da mistura interétnica, através da criação de leis segregacionistas e de estratégias de “imobilismo social”. E um dos resultados de séculos de discriminação é a presença maciça da população negra nas favelas, nos presídios e outros lugares de extrema pobreza. Podemos considerar que, nesses lugares, à estratégia do imobilismo social, citada por Clóvis Moura, soma-se o alto número de óbitos (genocídio) entre a população negra, como reforço a essa política de embranquecimento.
Assim, tanto os conflitos armados individuais que deixavam rastros de sangue nos nossos campinhos, quanto os coletivos que ora ocorrem nas penitenciárias brasileiras são apenas expressões de uma guerra maior, a qual possui traços étnicos bem definidos: De um lado a branquitude secular da elite (devidamente representada por agentes estatais, sobretudo os do campo da política), de outro a negritude da população carcerária e seus famílias.
Sendo assim, fervilham em nossas cabeças algumas perguntas: a quem interessa frear a matança nas prisões? Bandido bom não é mais bandido morto? Já pensaram se, como colocaram ordem nas favelas, o PCC ou outro grupo armado resolve e cria condições para pôr ordem no país? Nós já.
E considerando que a maioria das outras facções desenvoveram-se sob três bases altamente destrutivas (o mercenarismo, a violência e o baixo senso de solidariedade de classe - vide números crescentes de crimes violentos nos Estados onde elas dominam), e considerando ainda que tudo isso é perfeitamente compreensível, dada a situação de extrema desumanização em que vivem as pessoas encarceradas no Brasil, rezemos.
Sabemos que o que vamos dizer agora parece loucura, sobretudo para os coxinhas com catupiry. Mesmo assim, lá vai (tire a criança da sala): rezemos pelo PCC.
Ao menos com estes se pôde ver na prática a redução da violência nas favelas e, caso venhamos a cometer algum erro, com o PCC é possível reclamar um júri, defender-se e, quando for o caso, livrar-se do castigo – coisa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Contra o terrorismo de Estado


e os robocops do sistema, frio

 

 















O bicho por aqui tá sempre solto. Geralmente, fardado.

Como no filme Matrix, o melhor que fazemos quando trombamos um dos robozinhos do Sistema é correr. Correr feito lebre, apesar da recomendação do saudoso Sabota: “é melhor jogar pra cima que tomar delito alto”.

Mas, você sabe. A carne é fraca, nascemos com medo, e nem sempre o relógio corre a nosso favor. Vira e mexe o bicho fardado desenjaula-se em pássaros – estúpidos: atingem espelhos crentes que fazem seus ninhos chocos no peito do povo preto. E pobre.

Quando correr já não serve, as pernas não obedecem, o relógio resolve apressar a morte e o terrorismo de Estado alcança o alvo (quer dizer, o preto), a nós, resta fazer o quê?

Só no Estado de São Paulo, em 2014, morreram quase duas pessoas por dia, vítimas dos vermes. Devorados vivos, jovens, negros, sem dinheiro e sem comoção social.

Resta resignar-se?

Fazer de nossos corpos de adubo?

Fazer a boca grande e ser devorado pela boca pequena das formigas?




Resta nos resignarmos. Um pouco.

Resta nos indignarmos. Um muito. 






Não calamos, mas falamos sem jeito. Já sabendo que a escuta é precária. O pet é criado e nossa massa ainda se encontra abaixo (a sete palmos, talvez?) da superfície terrestre.

Contra o terrorismo de Estado, acendemos velas, encomendamos rezas, e falamos (baixo, mas falamos).




Vítimas dos vermes, uni-vos.

É o que nos resta.