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PORQUE NÓIS NUM TÁ AQUI PRA SER LEGAL

sábado, 17 de fevereiro de 2018

RAP NACIONAL É COISA SÉRIA: O GANGSTA, O FEMININO E O LÚDICO

Entre trilhas sonoras dos guetos, Divas do Rap e Somos Nós a Justiça há uma longa história do rap sendo contada e redesenhada. Desde os anos 80, o ritmo e a poesia vêm servindo de base para o letramento e a visibilização da população negra, pobre e periférica. Pretendemos neste breve ensaio analisar os novos letramentos construídos a partir das outras cenas políticas e culturais do hip-hop atual. Nos palcos e nas vidas destacam-se o revolucionário verbo gangsta, o das vozes femininas e da ludicidade. Por traz da guerrilha urbana ideologicamente protagonizada, por traz da feminilidade em luta contra o feminicídio, e do humor sarcástico, a ironia vai corroendo as pedras e abrindo caminhos para a reexistência.






Das letras de rap ao letramento


Desde os anos 1980, o movimento Hip Hop vem se destacando enquanto espaço de letramento para jovens das periferias brasileiras. Tal afirmação, apesar de genérica, permanece válida ainda nos dias de hoje, quase quarenta anos depois dos primeiros grupos de rap’s e das primeiras posses (coletivos de Hip Hop) se formarem. Mais do que espaços de apreensão do mundo, tais coletivos figuravam como vias de resistência, de compreensão e desconstrução de um mundo onde o racismo, o machismo e a luta de classes moldam personalidades, impõem leituras de mundo, geram estereótipos e delimitam espaços de vida e de morte.


Segundo Souza (2011) letramento significa “capturar a complexidade social e histórica que envolve as práticas cotidianas de uso da linguagem” (SOUZA, 2011, p. 36). Para a autora, tais práticas apontam para a reinvenção dos usos sociais da oralidade, do verbal e do não verbal, dos movimentos dos corpos que provocam e deslocam as identidades étnico-raciais, de gênero, sexualidade, etárias e outras que nos são caras. Ela aponta ainda para a “necessidade” de embranquecimento dessa população:


Para ser leitor, dentro de um processo em que a palavra escrita é européia e responde às teorias racistas vigentes, é preciso embranquecer. As leituras de negros e mestiços, marcadamente influenciadas pela tradição oral desvalorizada, juntamente com seu corpo de descendência africana, não têm lugar, valor algum se comparadas aos valores da leitura e da escrita ensinados na escola, ou fora dela (SILVA, 2011, p. 40).


Sua afirmação vai ao encontro da tese fanoniana de que “ser uma pessoa negra não é realmente ser uma pessoa, pois “há uma zona de não-ser, (..) onde um autêntico ressurgimento pode acontecer (FANON, 2008, p.26)”. Dado que a qualidade de “ser humano” estava restrita à raças brancas, segundo as teorias racializantes tão bem propagadas a partir do século XIX (SCWARTZ, 1993), tal ressurgimento em terreno só pode ocorre com uma reconstrução de identidades.


Assim, de acordo com Fanon, em uma sociedade baseada na divisão de classe e raça, por mais que se esforce para provar sua pertença à espécie humana, a população negra, seu trabalho, sua visão de mundo, seus atos culturais serão vistos sempre como “de segunda classe”. Uma das maneiras que jovens negras e pobres encontraram para combater tal desumanização foi justamente o Hip Hop com seu potencial de letramento e reconstrução de existências.


Por sua vez, se visitarmos o velho mestre Paulo Freire (1988), relembraremos que o ato de ler significa “ler o mundo” atentando para suas contradições, para os papéis socialmente atribuídos, para o conceito marxiano de “opressores e oprimidos”. Nesse sentido os novos cenários e protagonistas do rap, têm colaborado veementemente na leitura desse mundo e, na linha de frente da velha batalha entre quem manda e quem tem juízo, empunham novas armas gangsta’s, feministas e irônicas.


Trilha Sonora do Gueto: Muita calma, playboyzada, não precisa se assustar


No ano de 1999, em plena era do genocídio negro, e ao final da “Era dos Extremos” (1995), surgia O Trilha Sonora do Gueto, ou simplesmente T$G. O grupo tem atualmente quatro álbuns e um DVD.


T$G faz parte de um sem número de grupos de rap nacional que iniciaram carreira entre os anos 1980 e 1990 e, além de terem marcado época, sobrevivem reinventando-se continuamente. Sua música mais tocada é, sem dúvida, “3a Opção”, cuja narrativa nos dá conta de uma cena de assalto a banco em que o protagonista, após ser encurralado, busca se proteger fazendo alguns reféns dentro do banco. Quando percebe, no entanto, que a morte é certa, o protagonista percebe que tem três opções: sair pela frente e ser linchado; sair pelos fundos e ser assassinado pela polícia; ou se matar. No entanto, em “fração de dois segundos”, tem a ideia de convocar o repórter televisivo Datena e sua equipe para fazer a transmissão ao vivo da “cena” e tentar evitar mais uma tragédia social. A estratégia funciona, mas o protagonista é preso:


Eu só vou me entregar
quando aquele sem futuro
do Datena me filmar.
To ligado que p’ceis
eu não valo um real,
mas se cêis invadir
o refém vai passar mal.
Ele tá todo borrado,
tá mijado, tá com medo.
Tá pagando até com juros
o racismo e o preconceito.

(T$G, 3a opção, 2003)

O protagonista dessa história, e que se mescla ao sujeito poético, é nada mais nada menos que o próprio vocalista do grupo: Cascão. Este, cumpriu pena de sete anos, após liberto formou-se em Direito e permanece cantando rap criminal.


Entretanto, passaram-se quase 20 anos e, nesse meio tempo, a situação das cadeias, dos presos e os códigos de ética vigentes nesses espaços e nas ruas mudaram radicalmente. Se naquela época havia uma enorme quantidade de homicidas presos e à solta, nos dias de hoje, na cidade de São Paulo, isso não é mais possível. Tal mudança ocorreu, basicamente, devido ao fenômeno “Primeiro Comando da Capital” (PCC) – que proibiu terminantemente as mortes nas periferias e cadeias, sem prévio julgamento da “corporação” (Mota, 2017).
O estilo gangsta do grupo, no entanto, permanece ativo e ainda mais contundente: faz a crítica do próprio hip hop:

No começo, tudo forte, tudo cheio de teoria
contra a droga, o sistema e toda a patifaria
Cadê o discurso Malcon X, Marthin Luther King, né?
Virou camarote com wisky e red bull
mulherada nas baladas, hoje nóis é só mais um.

(T$G, Rap é Poder, 2001)

E critica também aspectos da sociedade e do sistema carcerário:
Seu dinheiro dos impostos
que foi gasto por aqui
eles usam pra maldade
Deposita nesse GIR
(Grupo de Intervenção Rápida) na covardia
que não tira a toca ninja
pra viver no outro dia
Tudo robô do governo
que se pá nem vida tem
enquanto os grandes de Brasília
lá não liga pra ninguém
(T$G, W2 Proibida 2013)

Por fim, permanece com um estilo ainda mais desafiador, fazendo elogios ao PCC, afrimando que o “Partido”, como também é conhecida a organização dos presos, teria tomado o lugar que caberia ao Estado, no sentido de garantir os chamados direitos fundamentais de cada ser humano, previstos na nossa Carta Magna e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário:

Ceis devia agradecer nóis do Pan da Capital
que deixamos todas vila e favela na moral
Já não morre mais ninguém
Nóis que fez acontecer
Essa música faz parte assim de um dossiê.
(T$G, W2 Proibida 2015)

Como se vê, há no gangsta rap do TSG uma preocupação social difícil de ser digerida por parecer paradoxal: narra-se o crime, mas a busca é pela paz. Tal paradoxo é recorrente em atos de resistência e, a julgar pela popularidade do grupo – mesmo fora dos meios oficiais de comunicação – depreende-se que ele é absolutamente representativo de uma população insatisfeita, oprimida e em busca de ícones, símbolos e fortalecimento. TSG, sem dúvida, atua nesse fortalecimento, propõe novas leituras de mundo e novas formas de existir e resistir.

“Respeita, tio, no bagulho, que as mina é organizada e veio fazer barulho”


Outras mudanças aconteceram desde que os primeiros grupos de rap começaram a subir nos pequenos palcos de madeira improvisada dos anos 80. As mulheres, por exemplo, tinham pouco espaço e figuravam na maioria dos grupos de rap apenas como back vocal.


Houve excessões, lógico: Dina Di, Sharylaine, Francis Negrão e Mara Onijá, por exemplo, desde sempre despontaram no rap como potentes vozes femininas cujas letras já impunham posicionamentos contrários ao machismo explícito nas letras de praticamente cem por cento dos grupos nacionais.


Hoje, diante de uma certa derrocada dos grandes nomes do rap – que agiram quase como o o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (“esqueçam tudo o que escrevi” ) - e partiram para o mundo das celebridades, cresceu a força feminina. Enquanto os novos artistas posam ao lado de Lucianos Huks, Angélicas, programas de domingo e casas de artistas decaídos, longe das telas televisivas, nas quase democráticas redes sociais, tomamos contato com novas e velhas vozes do hiphop, em sua versão feminina e feminista: As Divas do Hiphop, por exemplo, reúne importantes nomes como Cris do SNJ, Yzalú, Amanda Negrassim e o rapjazz de Tassia Reis.


Além disso, temos as mulheres que sempre estiveram por dentro do movimento e que resolveram ativar suas vozes nos microfones. Com maestria, elas contestam o machismo, o racismo e o superencarceramento da nossa população.


Destacamos aqui as Sankofas – grupo encabeçado por algumas das mulheres integrantes da Posse Força Ativa (Bia e Lilian): suas letras são um misto de ira e pedagogia. “Rap pedagogia das oprimidas”, como no trecho que segue:

Bateu o martelo a justiça que é pra poucos
no país que, pra falar verdade, é pra loucos
loucos por capital
loucos por funeral
loucos por violência
Isso é lavagem cerebral.
Mulheres encarceradas,
quantas prisões estão sendo forjadas?
Mulheres encarceradas,
para o Estado é só um número e mais nada.
(SANKOFAS, 2017)

Na mesma linha da pedagogia das oprimidas e da ira, devemos apontar também, dentre outros nomes, Sara Donato, Luana Hansen e Issa Paz: rap raivoso, gangsta para assustar qualquer pessoa que ouse desqualificar a luta feminista:

Ce adora as mina quieta
Eu só desejo que ce cale a boca
Empoderamento feminino não é sua escolha
Hipócrita pra caralho
quer falar mal da minha xota
(…) Cala a boca!
(…) Eu quero paz, mas MC escroto não falta…
(DONATO et al, 2017)

De igual pra igual, a partir do “terrorismo feminino” faz-se curvatura da vara leninista inclinar até o ponto mais distante:


Toca aí vai, deixa eu escutar essas merdas
É 24 horas no ar poluindo a terra
É tchu, tchatcha, tcherererê, vai se foder
Mas é isso que cês quer, tanto fez tanto faz
Vão cagando e andando e vocês seguindo atras
(...)
Quem é, se identifica, modifica sua visão
Sente a pureza que vem do coração
Da ibope falar de amor, mas eu não sou medidor de audiência
Canto rap pesado mesmo, só pra não perder a essência
(idem , 2017))


E no extremo da vara de minerva existem as críticas pesadas, internas ao movimentos que muito tem a avançar justamente por ser algo sério, pedagógico e libertador.



Rap nacional é coisa séria



As posturas justas e agressivas das mulheres que hoje continuam a inspirar outras mulheres e dão continuidade à história do Hip Hop demonstram o quanto de seriedade ainda há nesse movimento que, desde sua chegada ao Brasil, vem fortalecendo as identidades negras e a consciência de classe, mas que deixou e ainda deixa a desejar quanto às questões femininas.


Entretanto, o movimento é formado por uma grande maioria de pessoas inteligentes. Assim, a tendência a falar mal de mulheres, a inferiorizá-las, vem diminuindo consideravelmente.


Além disso, vale dizer, nem só de agressividade vive o rap. Temos também a crítica posta pela via da ironia, do humor e da brincância. O grupo Somos Nós a Justiça, por exemplo em seu primeiro álbum, homônimo, já trazia faixas recheadas de ironia, humor e dramatização para produzir obras que fossem pedagógicas e críticas. Na faixa 9, por exemplo, temos a música “Bem pra cima”:


Em cima do palco, vê se é educado (educado)
Ninguém pagou entrada aqui pra ser maltratado (maltratado)
Eu peço licença pras mina, eu peço licença pros cara
Na humildade estamos cantando aqui na sua área
Com um estoque de canções positivas, pra que todos nós um dia sejamos futuristas
O rap e suas letras, demonstram inteligência
(SNJ, Bem pra cima, 2001)



Como se vê, o grupo primeiro chama a atenção para a necessidade de respeitar o público que ali está e, em seguida, parte para a aula de como fazer um bom rap: um som crítico, que levante a autoestima do povo e que seja agradável aos ouvintes:



Já provamos pra todos que aqui não existe incompetência
O hip-hop unido, movido à revolução
Faço um som pra cima,
um bem bolado e vou cantando
A minha rima é tipo O positivo
E com isto, tem umas resistências no improviso,
pra mostrar que o hip-hop é coisa séria
Tá pensando que é fácil fazer sucesso,
rimar com coerência,
agradar vários adeptos ?
(SNJ, Bem pra cima, 2001)

Na sequência, em outra faixa do disco, verifica-se uma aula de história da atualidade que recupera aspectos cristalizados do que se ensina nos livros didáticos para contestá-lo, criticá-lo, sem desprezar o bom humor: ferramenta sagaz, sarcástica, corrosiva e moralizante (BOSI, 2012):

A espada de Cabral cortou a nossas raízes
E na escola não aprendemos nada disso
A professora não explicava nem o que era genocídio
Para com isso.
(...)
Pero Vaz, de correio, lhe enviamos esta carta
Leia com atenção
interprete com sabedoria
O maior investimento da casa da moeda:
através da leitura
tu adquires um conhecimento.

Um cara mui famoso intitulado herói do povo
que diz ter descoberto e se apossou do que era do outros
Saca só, fica ligeiro:
Nos dias de hoje é figurinha carimbada
No dinheiro de plástico .
(SNJ, Viajando na balada, 2001)

Se ouvirmos o ritmo da música veremos que há um contraste entre a seriedade dos temas tratados (genocídio, problemas da educação básica, letramento que se dá fora dos meios escolares, etc) e o ritmo dançante, os tons das vozes irônicas e humorísticas e as próprias escolhas lexicais, que sugerem informalidades, brincadeira (figurinha carimbada; dinheiro de plástico) e se somam às gírias (saca só; fica ligeiro).


Em 2012, o mesmo grupo lançou lançou o álbum “Origens”. Este, por sua vez, mantém o estilo do grupo e segue recuperando a história para compreender a fazer a crítica do presente. A música “Viajando na balada - parte II” faz uma rica atualização do que já vinha sendo criticado há quase 20 anos atrás:


A sociedade em rede gira
mundo, mundo gira
são vários flashes.
Muleque ranhento
cresceu agora
só fala em cash.
Nasdaq, Dow Jones
o mercado em aquecimento.
Bolsa sobe, bolsa cai
e o povo no esquecimento
(SNJ, Viajando na balada parte 2, 2012)


A crítica do SNJ vem em um momento em que, como dizíamos, alguns rappers se tornaram celebridades e, de certo modo, deixaram a juventude periférica órfã de lideranças políticas e culturais. Assim, todas as pessoas e grupos aqui citados (e também um sem número de não citados) ocupam o espaço vago deixado por esses “artistas”:
Na linha traçada de forma bem explícita pelo TSG, o grupo ainda expõe sucintamente sua opinião sobre a atualidade em um refrão crítico, desafiador e contagiante.

Bang bang bang ohohoh
Uns viajam na balada
outros tão louco na pista
Bang bang bang ohohoh
amotinados não mais de frente pra TV
no computador é o que se vê
Bang bang bang ohohoh
Prosperidade ao hip hop
vida longa aos fora da lei
Bang bang bang ohohoh
aos MC’s, Bboys, DJ’s e grafiteiros
um império que aumenta a cada dia no mundo inteiro
(idem, 2012)


Rap 10


Assim, embora analisados de forma breve, nesses anos 2010, percebe-se que o novo cenário do Hip Hop traz boas novas, no que tange à situação feminina dentro do movimento, no sentido de permanência de uma criticidade fundamental ao reforço das identidades negras, femininas e pobres, as quais ainda são cotidianamente pisoteadas por um sistema que elegeu exatamente esses grupos para inferiorizar e explorar.


Nesse sentido, esses novos cenários do movimento ainda são de suma importância no contexto do letramento do povo pobre e na manutenção de sua integridade, na abertura de caminhos de resistência e reesistência.


Referências Bibliográficas

BOSI, Alfredo O ser e o tempo da poesia. 7a edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.


___________. Literatura e resistência. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 22 ed. São Paulo: Cortez, 1988.

HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

MOTA, Eduardo Guilherme de C.; MOTA, Maria Nilda de C. Das contradições do Capitalismo ou: Metralhadora de chocolate. São Paulo, Ed. Me Parió Revolução, 2017.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. O Espetáculo das Raças – cientistas, instituições e questão racial no Brasil 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.


Discografia

DONATO, Sara. Cypher "Machocídio" - Sara Donato, Luana Hansen, Souto MC, Issa Paz [HD]. Disponível em <https://youtu.be/GjbufgkfY0I>. Acesso em 29/11/2017.

SNJ. Viajando na balada. In.: Somos nós a Justiça. 2001. 1 CD

SNJ. Somos nós a justiça. In.: Somos nós a Justiça. 2001. 1 CD

SNJ. Viajando na Balada Parte 2. in.:Origens. 2012. 1 CD

T$G. 3a Opção. In: Us fracu num tem veiz. 2003 1 CD

T$G. Rap é poder. In: Du Lixu au Luxu, 2015. 1 CD

T$G. W2 Proibida. 2015. Disponível em <https://youtu.be/D9S72snUGO0>. Acesso em 29/11/2017.

SANKOFA. Mulheres encarceradas. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=8GvjrC4iaFE>. Acesso em 30/11/2017.






terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Gado cortado - LEI


LEI Na favela pacificada a chave do terror fica guardada e a permissão de usar não se tem. Só nas curvas mais fechadas onde os vermes deitam, rolam e arrombam portas é que se viola a lei

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Oração Capital a quem não olha e já nem vê



Oração Capital a quem não olha e já nem vê 



"Eu recebi sei tic (quer dizer kit)
de esgoto a céu aberto e parede madeirite. 
De vergonha eu não morri, tô firmona, eis me aqui.
Você não, você não passa quando o Mar Vermelho abrir"

Meus.
Talvez a vida não se enquadre
na tela do smart
e nem a língua se caiba
no chip da net
na linha do fone
da operadora
de crédito
negativado

(nem a água chegou lá).

Meus! Talvez
o sonho é passado
no buraco abstrato
dos milhões de cadeados
e inúteis fechaduras
de casulos esmagados
por pés-de-pato
e outros milhões de bichos-otários.

Talvez só a tarde
na margem delimitada
se personalize em mágoas.
E talvez os segredos se choquem
com os deslizar das redes
pega-peixe,
cara-a-cara e outros temíveis
brinquedos.

Talvez a vida não caiba,
no curso que estás preparando.
Suponho
que essas linhas tortas
sejam parte dos seus prantos
(lágrimas de crocodilos dandies).
Só com a fé e
a inaudita com fiança,
sabemos,
no revés das armadilhas de todos os santos
plantaremos chagas e
não colheremos em cantos.

Pronto!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Só a favela sabe como é




Tem jeito não



Talvez eu precise um poema.
Um poema que resgate
a minha integridade
e o zumbido do cotidiano.

Um poema que resgate o espanto
o pranto
as noites mal dormidas
e a vermelhidão dos sonhos
mais conjuntivos.

Um poema que resgate a teoria
do susto. Dos conjuntos,
o surdo, o mudo, o justo
o sábado, o sapo e as testemunhas
oculares

um poema que               retarde
me desgaste
até o osso
paisagem onde o monstro
do café se sabe morto
corpo solto fora
na boca do soco

um poema bolha triste
sem sabão:
sem som
sem ar
sem condições.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

SOCIOLOGIA DO NEGRO BRASILERO - CLÓVIS MOURA (PDF completo)

SOCIOLOGIA DO NEGRO BRASILERO - CLÓVIS MOURA (PDF completo)
Devido as condições nossa ideia é publicar alguns capítulos por vez. Aqui esta a INTRODUÇÃO. Caso precisem de uma página específica é só pedir que encaminharemos.CLICANDO NA FOTO A IMAGEM MELHORA








terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Angela Davis no Brasil // Curso: feminismo negro descolonial nas Américas

Angela Davis no Brasil // Curso: feminismo negro descolonial nas Américas

 

FEMINISMO NEGRO E MARXISMO

FEMINISMO NEGRO E MARXISMO

MARXISMO E QUESTÃO RACIAL

MARXISMO E QUESTÃO RACIAL

O PENSAMENTO RADICAL DE CLÓVIS MOURA

O PENSAMENTO RADICAL DE CLÓVIS MOURA

DIALÉTICA RADICAL DO BRASIL NEGRO - CLÓVIS MOURA

DIALÉTICA RADICAL DO BRASIL NEGRO

REPRESENTAÇÃO DA PESSOA NEGRA NA TV BRASILEIRA

REPRESENTAÇÃO DA PESSOA NEGRA NA TV BRASILEIRA






quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A P2 e os fakes (mentiras) sobre FDN


Você sabe o que é “Fake” (se fala Feike) ? Fake é uma mentira de internet que pega que nem chiclete. Pode ser propagada por zap, face, blog, etc.
Pra termos noção da gravidade do assunto é só observar que toda a imprensa brasileira afirma que as eleições de 2018 serão repletas de Fakes criados por “robôs”. OBS: Ainda não temos robôs que pensam.
Fakes (ou mentiras, para os mais raiz) é uma das melhores formas de acabar com a reputação de alguém ou de um grupo.
Nos últimos dias circulou por SP um Fake que afirmava que uma facção do norte do país (FDN) estaria invadindo a cidade de São paulo e atracando contra os familiares e amigos dos membros do PCC. Tal mentira afetou o psicológico de quem está encarcerado e de seus familiares, prejudicando inclusive a VISITA, o mais importante fator positivo realizado durante pena.
Observando de longe este é no mínino o segundo Fake que tenta atingir o PCC desde 2017, quando as mentiras eram sobre o desaparecimento de crianças nas periferias de SP e a suposta responsabilidade do PCC.
Como não confiamos no ESTADO e muito menos no seu braço armado, nóis da periferia só pode pensar que isso é COISA da polícia e nóis só pode concluir que isso é TERRORISMO. Concluímos também que TERRORISMO começa sempre pelo lado mais forte que é o ESTADO, a ELITE e seus ROBÔS que pensam que pensam.
A irresponsabilidade desses boatos pode inclusive levar a uma relação hostil entre são paulo e nordeste, são paulo e rio. E isso ninguém tá querendo, né?



domingo, 24 de dezembro de 2017

O NATAL DOS COVARDES

O NATAL DOS COVARDES
Por: Marcelo Freixo.
O que diriam os pregadores da intolerância, os obreiros do justiçamento, os apóstolos do olho por olho dente por dente sobre um homem que manifestou seu amor por um ladrão condenado e lhe prometeu o paraíso? Brandiriam o velho sermonário: bandido bom é bandido morto?

Hoje, quase todos os brasileiros, inclusive os cônscios moralistas da violência que amarram adolescentes em postes para linchá-los, se reunirão com suas famílias para celebrar mais uma vez o nascimento desse homem.

Sujeito, aliás, que respondeu à provocação: está com pena? Então, leva para casa! Pois, é. Jesus Cristo prometeu levar o ladrão para casa. "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso", diz o evangelho de Lucas.

Jesus optou pelos oprimidos e renegados, pelos miseráveis, leprosos, prostitutas, bandidos. Solidarizou-se com o refugo da sociedade em que viveu, contestou a ordem que os excluiu.

O Cristo bíblico foi um dos primeiros e mais inspiradores defensores dos direitos humanos e morreu por isso. Foi perseguido, supliciado e executado pelo Império Romano para servir de exemplo.

Assim como servem de exemplo os jovens que são espancados e crucificados em postes, na ilusão de que a violência se resolve com violência. Conhecemos a mensagem cristã, mas preferimos a prática romana. Somos os algozes.

Questiono-me sobre o que seria dele em nossa Jerusalém de justiceiros. Não sei se sobreviveria. É perigoso defender a tolerância, o amor ao próximo e o perdão quando o ódio é tão banal. Como escreveu Guimarães Rosa: "quando vier, que venha armado".

Não é difícil imaginar por onde ele andaria. Sem dúvida, não estaria com os fariseus que conclamam a violência e fazem negócios, inclusive políticos, em seu nome.

Caminharia pelos presídios, centros de amnésia da nossa desumanidade, onde entulhamos aqueles que descartamos e queremos esquecer, os leprosos do século 21. Impediria que homossexuais fossem apedrejados, mulheres violentadas e jovens negros linchados em praça pública. Estaria com os favelados, sertanejos, sem tetos e sem terras.

Por ironia, no próximo Natal, aqueles que defendem a redução da maioridade penal, pregam o endurecimento do sistema prisional, sonham com a pena de morte e fingem não ver os crimes praticados pelo Estado contra os pobres receberão um condenado em suas casas.

Diante da mesa farta, espero que as ideias e a história desse homem sirvam, pelo menos, como uma provocação à reflexão. Paulo Freire dizia que amar é um ato de coragem. Deixemos então o ódio para os covardes.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Porque mulheres escrevem menos romances?




Ou: porque este texto não foi publicado em outros sites...

Ou: Porque já temos cacife para afirmar sem pedir a bênção às estatísticas

Ou: Ou você é São Tomé?


Um dos meus sonhos é escrever um romance (meu e do Du, em coautoria, como este blog). Não qualquer romance... uma trilogia. Trilogia futurista de ficção científica. A história está pronta. As personagens estão eleitas. Assim como o local e a época já constam como escolhidos.
Mas apesar desse sonho grandioso. Eu não me frustraria tanto se a história que eu escolhi só desse em um contozinho de poucas palavras... O importante mesmo é tirar de dentro da minha cabeça e materializar as ideias.
E porque será que eu, poeta negroperiférica, consigo sentar e mandar ver em um poema de forma fixa ou livre, mas não dou conta de uma prosa literária, por mínima que se queira?
Em primeiro lugar, é importante que se diga que esse não é apenas um problema meu. A vida das mulheres em geral, já dizia Virginia Woolf, é atravessada por muitas questões, como o histórico machismo e o histórico racismo que nos fazem trabalhar muitíssimo mais que a média masculina e branca. Além disso, há a dificuldade em parar e dedicar tempo a um trabalho que não nos foi socialmente delegado e não necessariamente nos trará retorno financeiro. Essas coisas dificultam – e muito – a escrita de textos mais longos.
Minha tese por exemplo... vai pra cinco anos já... Mas desse não passa! Não tenho escolha... Serei, enfim, uma escritora pesquisadora doutora (além de favelada, lógico...). 
 
O caso é que, por essas e outras meu romance prossegue esperando. Pode ser que quando minhas filhas crescerem e eu tiver me aposentado (quer dizer... se eu conseguir me aposentar. O mais certo é que a gente morra antes mesmo como pretendem os pretendentes às reformas na aposentadoria), pode ser que enfim eu tenha tempo pra contar histórias longas.
 
No entanto, escrever é uma necessidade. Na escrita nos revelamos, liberamos angústias, construímos utopias e delas nos alimentamos. Por isso, o desdém masculino nos capota, mas não breca e a gente continua escrevendo até debaixo d’água, se for preciso.
Daí que somamos forças e fundamos coletivos que promovem a leitura de mulheres, como o Leia Mulheres ou o Mulherio das Letras, ou ainda o Sarau das Pretas e as Edições Me Parió Revolução. Juntas nos articulamos e impulsionamos a publicação e circulação de livros femininos e independentes. Juntas criamos formas de resistência.
Falei outro dia a uma repórter sobre o fato de muitíssimas mulheres escreverem, poucas serem publicadas e a imensa maioria ser desdenhada com frases do tipo “você é muito emotiva”. Disse a ela que a consequência lógica do ataque masculino é a nossa resistência e vice-versa. Disse ainda que nós seremos as responsáveis por revolucionar essa parada. No fundo eles sabem disso. E é por isso que tanto temem.
Se eu não conseguir escrever meu romance, ao menos as parceiras já sabem que ele esteve no meu horizonte, me alimentou e foi por mim alimentado. E que esse saber abra portas e fortaleça a resistência de outras de nós.



quarta-feira, 29 de novembro de 2017

domingo, 12 de novembro de 2017

Psicógrafa






Quando ele tombou a PM
disse que era apenas 

guerra entre gangues 

so


meu coração virou pedra quente
larva derretendo no leite e vazando
no mirante dos olhos leigos.




Ironia do destino
é a guerra ter virado
cavalo selado
desgraçando a campina grande
do Estado.




Vou perguntar aos meus meninos
se eles queriam estar vivos
ou queriam realmente
fazer parte desse conto

cínico.




terça-feira, 7 de novembro de 2017

Quem viver verá


Porque cantariam tão tristes?
Ou: Numa cantiga qualquer

“Pode chegar,
favela é um bom lugar”
Sabotage 


Porque depois do córrego
tinha o mato, o pouco rio,
as nascentes,
as plantas carnívoras,
os atalhos
e concorrentes.

Porque é no extremo
que o horizonte
se impõe mais nítido:
janela com janela
beco
labiríntico.

Porque é lá que inda moram
os elos perdidos:
a humana carga.
O humano sítio

de portas abertas
pra que o sol brilhe forte
e o mofo da miséria
o trabalho
transforme
poesia.


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O HOMEM NU NO MUSEU E O BOI DE PIRANHA

BOI DE PIRANHA

Você sabe o que é “Boi de Piranha”?

É muito simples. Boi de Piranha é um tipo de boi utilizado para fazer a travessia de gados por dentro de rios cheios de piranhas. A coisa funciona assim: Vc joga o boi que considera inútil pro comércio pra que as piranhas se ocupem dele, daí, um pouco mais pra cima, você passa pelo rio levando em segurança os 99,9% do gado. Boi de Piranha só serve pra distrair as piranhas, pois se dependesse delas, destruiriam todo o rebanho e impediriam a travessia.
E no mundo das NOTÍCIAS, o que seria um Boi de Piranha?

No mundo das NOTÍCIAS Boi de Piranha é um tipo de notícia utilizada pra que os poderosos possam “passar por cima” com aquelas que são as notícias que realmente importam ou deveriam importar.
Boi de Piranha no mundo das NOTÍCIAS é ficar discutindo se uma criança pode ou não ver um sujeito nu e se tal experiência é ou não necessária. Caso tais discutidores nunca tivessem ficado pelados na presença de seus filhos e filhas, a NOTÍCIA procederia, mas como sabemos que isso não é verdade, concluímos que não passa de um Boi de Piranha.
De um lado os hipócritas dando um caráter maldito à nudez. De outro lado um grupo de experimentadores contumaz que só pensam em diversão e consumo que são capazes transformam um escarro em arte e passar horas a observar e a inventar sentidos.

Mas tem uma coisa que os une: JÁ ESTIVERAM PELADOS NA FRENTE DOS FILHOS. Caso não, libertem-se desse bloqueio, nem precisa ler Freud.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O PT, a desarticulação dos movimentos sociais, os editais e outros repasses de verba como formação dos novos Currais Eleitorais


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Triste do militante que que não conhece história, que não sabe que sua vida se inicia antes de seu nascimento e da própria concepção. Triste do militante que acha que a vida finda quando morremos, que param por aí as nossas influências. Demonstrando com isso que não sabem que a história influencia o presente e o futuro, e que, por isso, este que prefere observar o “fenômeno”, as coisas, como se elas não tivessem história ou futuro. Somente presente.


Triste do militante que não conhece e nem quer conhecer (e tem raiva de quem conhece) o que é dialética ou teleologia (teleologia: a história persegue algum objetivo?).


Triste deste militante que por não conhecer história não sabe que o PT  dos anos 80 resolveu testar sua popularidade apresentando um candidato, mas que o acordo era não assumir, caso fossem eleitos. Mas esse pensamento mudou imediatamente, quando o tal parlamentar eleito começou a receber seu salário e repassar para o PT. Daí pra frente da pra imaginar né?


Triste do militante que não sabe e não quer saber que, ao ir pro governo com uma proposta de coalizão (alianças), o PT desarticula todos os movimentos sociais e, como se fosse um rolo compressor, esmaga os militantes “pés de barro” e inicia um namoro com os universitários. Estes últimos, têm a vantagem de serem menos violentos e mais fáceis de cooptar, por que quando a coisa fede estes podem até mudar-se de casa, pra não ficar muito perto do povo, e assim se livrar de possíveis cobranças.


É visível que os militantes/cooptados, que se destacaram no PT, das duas uma: ou saíram da quebrada ou nunca são vistos na rua, só no self.


Triste do militante que não percebeu que o PT criava um novo tipo de “Curral Eleitoral”, e que esse estava alicerçado em “editais” e outras formas de repasse de verba. Isso, para que pequenos grupos (“coletivos” ou ong’s) tentassem administrar o curral (principalmente com ações culturais) e, assim, garantir os votos necessários.


Triste, triste triste foi ver que a militância abraçou a ideia da articulação do povo via ações culturais e deixou de lado a formação política, que não rende tantos pró-labores, ajudas de custo ou salários. As formações políticas que o PT fazia na quebrada nos anos 80/90 nada tinham que ver com estas apresentações culturais onde os agentes mostram cara feia, mas por dentro, assim, na altura da barriga, estão chorando de rir (vide o Faustão apresentando MV Bill em seu programa).


Agora, triste mesmo foi ver que a militância não sabe que nóis num é boi e, portanto, não podemos ser colocados em currais.
 
Nóis percebeu seu zói grande; nóis percebeu que, enquanto líderes, vocês não estão dispostos a serem  os últimos a comer e os primeiros a apanhar. Pelo contrário: vocês reinventaram um tipo de líder que se alimenta primeiro, alimenta até seu cachorro, por se acreditar celebridade dono de curral, onde tá tudo dominado.


Aí na hora da eleição, o povo te olha e te fala: quem é tu que eu nunca vi mais gordo? Só te vi magro. Quando, onde e como engordaste enquanto a maioria emagrecia?


Pra que o povo vote no PT, o partido deveria estar presente. Será que deu pra aprender isso com o PARTIDO@15.?


Mas não, o curral perdeu pra televisão, mostrando-se ineficiente num mundo repleto de veículos de comunicação.


Foi assim que, ainda na gestão Haddad, foram pro espaço os AMA’s, com Dilma nos defendendo, perdemos o seguro desemprego e, agora, o Doria nos dará ração, o Temer, mais escravidão e o Vão Livre do Masp vai continuar, vazio, vazio.


Triste que agora estamos totalmente desarticulados, sem voz, sem estrutura que esteja à disposição do povo pra tentarmos frear as violentas ações Neoliberais que perpassam o país.


Porque nóis, o povo, “estamos sós, ninguém quer ouvir a nossa voz” (Racionais MC’s).

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Madonnas de heróis recalcados


Mostra sua cara,
se apresenta, fariseu.
Falar de nóis é fácil
quero ver você ser eu.
TSG



  


Quando o palhaço do muro me olhou
já não havia motivo pra medo.
A casa estava fechada,
as costas estavam vidradas
havia diamantes de escolta
e as contas correntes no apoio
do desejo alheio.

Bati.

As madonnas fingiram não estar
e as sombras no andar de cima
me olhavam como se a roupa
mais farrapo que eu vestia
era apenas motivo de escárnio
balde de mijo gelado
e massa escura
(mal sabem…).

Foi quando eu virei pixadora:
O palhaço, as línguas de cobra e as mil e uma mulheres negras passaram
a ultrapassar os muros,
a pular por sobre os globos,
sob as bulas,
sob os calmantes.

As madonnas de novo
me olharam com nojo. Não.
Dessa vez havia além.
 

No escuro, vi meu sonho derramado
e o sertão voltou pra dentro
do meu centro 

- estropiado unguento:
Papai, Vovô, Mãe Fulô,
o cangaço de herança e o espinho
ponteiro de mandacaru.

Nesse ínterim
choveu muito em São Paulo
mas no muro continuava o palhaço
e suas mil e uma noites 

sem ilusão.

As madonnas e seus heróis recalcados
agora apenas olhavam 

o muro e 
choravam.


Apenas
apenas olhavam 
o muro e 
choravam.

Máscaras caídas,
choravam,
sem ter o que dizer.

sábado, 7 de outubro de 2017

111 de outubro

Sim, eu dancei com flores
Sim, senti suas dores 
Não vo mentir 
Não sorri vendo televisão 
Nem me diverti vendo as torres no chão 
Nunca achei que a grande águia estava de joelhos 
com medo 
Não me revelou segredos 
quem vi com medo foi uma multidão de trabalhadores 
seus familiares e parentes 
Mas não por acaso nenhum patrão estava lá 
só mesmo os funça e a população 

11 de sembro, 111 em outubro 
Duas torres formam 11 


Setembro não é mais setembro 
setembro agora chama-se 11 de setembro 
e outubro, não se chama mais outubro 
chama-se agora 111 de outubro 
Nos EUA e no cárcere (também) tem classe  
trabalhadora

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Das contradições do capitalismo II: Porque escrevemos um livro tosco? Quer dizer... boçal?

Sabemos.
Deve ter gente se perguntando porque escrevemos um livro tão impopular,
tosco e radical. E o pior, porque publicamos algo com tantos desvios
gramaticais, erros de digitação e o escambau a quatro...


Pois é... publicamos e não vamos reformular nada.
Publicamos e não faremos revisão.
Publicamos
porque somos mesmo impopulares e porque sabemos que há ali  conteúdos
que não pode ser desperdiçados. Publicamos porque entre ajustar-se à
norma padrão da língua e cuidar das filhas, nós ficamos com o segundo
trampo.
Porque aprendemos com Carolina aspectos mais importantes da escrita do que o gramatiquês.

Escrevemos um livro tosco.
Não!
Não é tosco... é boçal.
Sabe? Boçal como os escravos negros que ainda não passaram pelo processo de aculturação... 
Descurpa... não tamo ainda devidamente aculturados....
Além disso... dá uma lida nisso e me diz se alguém precisava ou não dizer essas coisas?



SALVE FAVELA: Das contradições do capitalismo II - PCC e a paz n...: O PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL “PCC” E A PAZ NAS FAVELAS sobre a redução de 80% no índice de homicídios Durante duas décadas...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ISSA PAZ E SARA DONATO - MACHOCÍDIO

Para os prêmios nobel de lóki

ISSA PAZ - QUEBRA DO STATUS QUO


SARA DONATO - PROSTITUIÇÃO AUDIOVISUAL


Das contradições do capitalismo: Porque escrevemos um livro tosco? Quer dizer... boçal?



 Sabemos. Deve ter gente se perguntando porque escrevemos um livro tão impopular, tosco e radical. E o pior, porque publicamos algo com tantos desvios gramaticais, erros de digitação e o escambau a quatro...
Pois é... publicamos e não vamos reformular nada.
Publicamos e não faremos revisão.
Publicamos porque somos mesmo impopulares e porque sabemos que há ali  conteúdos que não pode ser desperdiçados. Publicamos porque entre ajustar-se à norma padrão da língua e cuidar das filhas, nós ficamos com o segundo trampo.
Porque aprendemos com Carolina aspectos mais importantes da escrita do que o gramatiquês.

Escrevemos um livro tosco.
Não!
Não é tosco... é boçal.
Sabe? Boçal como os escravos negros que ainda não passaram pelo processo de aculturação... 
Descurpa... não tamo ainda devidamente aculturados....
Além disso... dá uma lida nisso e me diz se alguém precisava ou não dizer essas coisas pro nosso senhor prefeitinho?


SALVE FAVELA: Prefeitinho branco de leite em pó: Caro senhor prefeitinho, Sabe a história da branca de neve, não é? “Claro” que sabe. Rapunzel e o kibungo eram histórias impensávei...

Coletivo Com-Ciência: Orgulho crespo


sábado, 30 de setembro de 2017

domingo, 24 de setembro de 2017

DAS CONTRADIÇÕES DO CAPITALISMO - EBOOK GRÁTIS



BAIXA QUE É GRÁTIS.



OU COMPRE, SE QUISER DAR UMA FORÇA:

Saiba como os pobres acessam a tecnologia


AGORA NÓIS TEM ESTRUTURA… SÓ QUE NÃO!!!

Demoro mais agora nóis tem estrutura tecnológica. Nóis tem computador, TV fininha, projetor de cinema, lousa branca e canetinha. Mais nóis tá numa maré de azar que só cê veno, pois bem logo agora que nóis tem as resposta, parece que as pergunta foram tudu trocadas. Então na projeção de cinema que semanalmente fazemos de graça, aparecem no máximo 15 pessoas o restante tem tanto filme pirata em casa que poder sentar-se e ver um filme nada mais tem haver com sensação causada no passado. O ônibus da “ascensão social via acesso tecnológico” partiu bem no momento que vinhamos correndo esbaforidos com a tecnologia na mão. Ficamo aqui com esse monte de aparelho eletrônico, usando pra fazer o que já fazíamos, ver vídeo e ouvir música.
Mas e a estrutura arquitetônica ? Essa aí vai ainda pior. Ai que vergonha ver aquele CEU Parque Bristol gigantão sem uma só arvore adulta (foi inaugurado sem uma só arvore), sem bancos espalhados pelo terreno (pra não juntar gente, pra ser mesmo expulsivo), com um portão que vive parecendo estar fechado. Sem falar naquelas rampas de acesso pras salas que no topo chega a mais de 10 metro de altura e que não tem uma só telinha de proteção… Que tão esperando ? Um muleque nosso cair ? Vai dá um chabú doido. E as creches? Enfiam mais de sessenta crianças (e uma equipe de 10 pessoas) numa casa construída pra acomodar uma família de cinco pessoas. O solário, local de tomar sol, é de 2x2 metros, a garagem é a sala multi uso, o parquinho só cabe 10, o calor é insuportável. São verdadeiros depósitos de pessoas. Só não tem mesmo aquelas grades que tem no Cassiano Ricardo (a escola mais gradeada da região) que causam forte sensação prisão. No banheiro, não é particularidade do Cassiano, nunca tem, nem nunca teve papel higiênico, de tão ruim a estrutura dos banheiros nossas crianças só usam para fazer o número um o dois é só em casa.
A estrutura alimentar, tanto das ONGś, Escolas, Convênios ou Editais servem refeições cada vez pior, composta por biscoitnho e suco de caixinha.
A estrutura administrativa é patriarcal, isto é, os administradores, administram como se a coisa pública lhes pertencesse. É conhecida, por exemplo, a história de uma diretora da Escola Álvaro de Souza Lima que era sempre acompanhada em sua sala de trabalho por seu fofo cachorrinho. Fica a pergunta: Quem mais podia entrar na escola acompanhado de seu fofo cachorrinho ? Acho que mias ninguém.
Então, é importante que percebamos de uma vez por todas que estrutura tecnológica pode não servir para nada e que a administração patriarcal pode piorar e muito esse problema.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ARACNÍDEAS FÓRCEPS

A imagem pode conter: atividades ao ar livre e natureza



No meio da cidade destruída
A aranha
Tece com seus fios.
Tece a pedra.
Tece o rio.


Forte pro vendaval não entranhar
Em vãos designados às pérolas maduras
Pro maçarico não se intrometer no ouro
Que a teia reflete pra atrair as loucas
E os simples de coração.

A aranha tece seus fios de ouro
Na cidade dos tolos-nem-tanto-assim.

Vez em quando elefantes e touros
Se cobrem num mil casulos
Com os fios da aracnídea dos sonhos.

Nessas horas
A cidade destruída
Volta a estar protegida
E as pérolas maciças
Brilham por dentro do ouro
Como um colar-muro-da-china.

E a cidade novamente é nascida.

Quando eu souber grafitar


terça-feira, 25 de julho de 2017

Gráfica faz propaganda enganosa e prejudica lançamento de livro



De Zacimbas a Suelys



Hoje, 25 de julho, é o dia da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha. É dia em que se homenageia Teresa de Benguela, líder quilombola, mais uma de nossas heroínas negras cujas histórias não contadas começam enfim a chegar até nós. Teresa de Benguela é como Zacimba Gaba – Princesa cabinda e quilombola – homenageada no livro DE ZACIMBAS A SULELYS : COLETÂNEA AFRO-TONS DE EXPRESSÕES ARTÍSTICAS DE MULHERES NO ESPÍRITO SANTO.

Entretanto, o lançamento da obra, marcado para o dia 29 de julho na cidade de Vitória (ES), corre sério risco de não acontecer porque a gráfica contratada para o serviço – PRINTI – não cumpre prazos, como faz parecer em suas propagandas. Nosso primeiro pedido foi feito no dia 07/07 e o prazo inicial de entrega era 12/07. No entanto, às vésperas do lançamento, só temos dez por cento do que foi pedido e devidamente pago.

Pedimos a gentileza de divulgar esse texto, para que outras de nós não caiamos em golpes semelhantes, para que as empresas sintam-se pressionadas e também para que o lançamento da coletânea seja um sucesso.

Aliás, sintam-se convidad@s!



Abaixo, mais detalhes sobre a obra e o coletivo




O Coletivo Afro-Tons tem o orgulho e o prazer de convidar tod@s a participar do Sarau de Lançamento da Coletânea Afro-Tons de Expressões Artísticas de Mulheres Negras no Espírito Santo – De Zacimbas a Suelys, a ser realizado no dia 29 de julho de 2017, na sede da DasPretas.org, localizado na Rua Gama Rosa, 194 – Centro – Vitória – ES, a partir das 19h. O livro traz a arte em forma de poesia, conto, fotografia e desenho de 24 (vinte e quatro) mulheres poderosamente negras, que trazem todo o universo de dor, crítica, denúncia, beleza, afroamor, luta e resistência vivida e sobrevivida no contexto espiritosantense, marcado por processos de empoderamento e desejo de subversão do sistema que oprime e silencia vozes e devires. Teremos como grande homenageada a poeta, atriz e mestra Suely Bispo. Faremos um belo e mágico sarau, além do compartilhamento de experiências, vivências, afetos e luta. 

O evento acontecerá também como parte de uma programação mais geral em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha (25 de julho), estabelecido em 1992 no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas. Esse marco histórico teve como objetivo reconhecer a luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe. No Brasil, essa data foi oficialmente reconhecida em 2014 com a Lei nº 12.987, de 2 de junho de 2014, instituindo o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Teremos como programação do Sarau de Lançamento leituras e dramatizações de poemas da coletânea e outros, apresentação de dança do ventre com Shiara Arruda, dança afro com Cibele Verrangia e performance poética com Suely Bispo, nossa grande homenageada. 
Acontecerá também um coquetel afrocentrado, a presença das artistas da coletânea que estarão autografando os livros, sorteios de livros e muita música, bailados e afroamor.
Venham!!! Vai ser bapho! Axé!




terça-feira, 11 de julho de 2017

OS COOPTADOS PELAS ONG'S QUE FORTALECEM A ELITE E ENFRAQUECEM O POVO POBRE.

Tempos Difíceis ou Metralhadora de Chocolate 

Os cooptados propagam de dentro de instituições que na maioria das vezes são de caráter não governamental, mas que firmam parcerias pelegas para fazer o trabalho sujo, se é que há o limpo, do governo. Tais instituições cooptam nossos soldados e propagam, “de bem de pertinho de nóis”, a ideologia neoliberal.
 

 

 

Estamos perdendo feio esta guerra. Nossas armas causam no inimigo não dor, mas prazer, não medo, mas coragem, aplausos, cócegas.

Nossas muralhas foram destruídas e o inimigo circula livremente pelo território, quase todo ele dominado. Por isso as trincheiras perderam o sentido e agora são usadas contra as enchentes. As armadilhas, que eram simples, mas que nos tornavam menos vulneráveis, tiveram seus segredos revelados e agora são motivos de piada.

Bases militares inimigas são instaladas a cada dia a menores distâncias uma da outra
Nosso exército, que já era fraco, foi quase todo ele cooptado e muitos ex-soldados nossos estão agora usando informações privilegiadas a nosso respeito para, por meio dos estereótipos e tipos ideais, fortalecer a dominação inimiga.

Após nossas estratégias serem entregues aos inimigos, estes a inverteram contra nós. Por exemplo, o Rap, aquele que reunia 40 - 50 mil favelados mal encarados no vale do Anhangabaú para ouvir seu raivoso discurso foi quase todo convencido que é melhor fazer arte do que fazer a arte da guerra. Por isso não desperta mais as paixões políticas que despertava quando era um revelador de verdades. Ele agora é oficial, fala de dentro de instituições que na maioria das vezes são de caráter não governamental, mas que firmam parcerias pelegas para fazer o trabalho sujo, se é que há o limpo, do governo. Tais instituições cooptam nossos soldados e propagam, “de bem de pertinho de nós”, a ideologia neoliberal.

Nossa Central de Trabalhadores que muito nos ajudou a avançar, ou pelo menos a não retroceder nos direitos trabalhistas, também entrou no jogo da cooptação. É agora um braço do Estado, tem verba oficial e tudo o mais. Enfim, foi tomada. O inimigo assumiu sua administração.

O único partido político que nos representava nacionalmente (oh! evolução do capitalismo!) foi posto no poder. Por isso, a cooptação dos militantes, desarticulou as movimentações populares.

E o pior de tudo é que os cooptados tiveram seu egoísmo aflorado e gritam numa só voz que tudo vai bem, que os avanços são muitos! Ficaram cegos diante do pequeno poder que lhes foi ofertado e estão “mais felizes que pinto no lixo”. Nos traíram.
Estamos perdendo feio esta guerra, esta luta entre classes, mas ela ainda não acabou. Porém, no atual momento, o inimigo avança. Avança porque nossas estratégias foram desarticuladas e nossas armas são de brinquedo: cospem bolinhas de sabão; disparam bandeirinhas brancas.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

As Ong´s não são assistencialistas, são neoliberais...



As Ong´s não são assistencialistas, são neoliberais...

“Todas as ong´s concordam que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe, parecendo ignorar que, para quem está com fome, o importante mesmo é comer o peixe.”



O projeto neoliberal, no Brasil e no mundo, prega que os Estados devem abominar o assistencialismo, não devendo ser arrimo dos pobres. Ou seja, os Estados devem ser mínimos, no que toca à assistência social. Por isso os recursos que deveriam ser destinados a suprir as necessidades dos mais pobres e garantir-lhes a sobrevivência, são investidos em Ong´s cuja missão é ensinar aos pobres como resolverem sua própria situação.

A coisa acontece assim: A Ong recebe uma verba X do governo, ou de investidores particulares, e tem de repassá-la aos necessitados que atende. Mas o repasse não acontece de forma concreta, pois as instituições raramente entregam ao seu público alvo os produtos básicos para solução imediata de seus problemas também básicos. Isto é, ao invés de repassar, por exemplo, a um sujeito responsável por uma família de quatro pessoas, os mantimentos necessários para que sobrevivam por um período e, paralelamente, lhes fornecer capacitação profissional e passe livre para circular pela cidade, as ong´s costumam entregar somente a capacitação. Esta última costuma ser composta de palestras e mini cursos que, em geral, abordam conhecimentos que deveriam oferecer subsídios para que o trabalhador se organizasse financeiramente, mas que se mostram tão abstratos e ineficientes que mais parecem cursos de auto ajuda.

Nem todas as ong´s são ineficientes no que concerne à formação dos sujeitos para “pescarem seu próprio peixe”, mas todas elas dizem, numa só voz, que é melhor aplicar recursos na capacitação de empreendedores, uma vez que sua simples distribuição faria com que as pessoas se tornassem acomodadas, acostumadas a receber sem trabalhar, as tornaria “mimadas”. Todas as ong´s concordam que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe, parecendo ignorar que, para quem está com fome, o importante mesmo é comer o peixe.

É necessário que percebamos de uma vez por todas que os verdadeiros mimados são os ricos, pois são os verdadeiros pais e filhos do Estado burguês. São eles os acostumados a receber e não a trabalhar, e as ong´s são neoliberais por que aceitam e propagam o Estado mínimo – uma vez que o Estado “máximo” seria assistencialista – daí as ong´s serem tão aceitas pelo poder público e empresários (e, estes últimos, são os verdadeiramente assistidos por políticas assistencialistas, políticas protecionistas, pelo “Estado máximo”).

MASSACRE DO CARANDIRU


ROTA 66 - A História da Polícia que Mata - Entevista


ROTA 66 - A História da Polícia que Mata