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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Duas notas sobre livros infantis para crianças pobres


Duas notas sobre livros infantis para crianças pobres - leia-se negras

1. Faltam personagens negras (isso é de conhecimento público). O que quero apontar com esta nota é que, embora hajam excessões, as personagens geralmente oscilam entre reprodução dos estereótipos raciais e a uma pseudo-aceitação. É o caso, por exemplo, do belo livrinho O mundo no black power de Tayó (Kiusam Oliveira). Tayó é uma menina linda que vai à escola com seu black muito bem assumido... será?
Porquê então Tayó precisa gastar tanto tempo (seu e de sua mãe) enfeitando algo que por si só deveria ser considerado bonito (seu black)? Será que as meninas com cabelos lisos ou alisados, também precisam de tanto cuidado? 

2. Ainda hoje grande parte das nossas escolas públicas da periferia louvam a Monteiro Lobato como um ícone imprescindível da literatura infanto-juvenil. Será que é porque o racismo dele é voltado para a população menos valorizada e mais explorada do país? Será que se ele fosse um nazista, antisemita declarado, ou seja, voltasse seu ódio e desprezo racial para uma população branca, será que o manteríamos nas nossas estantes? Porque será que encontro livros racistas (como os de Lobato), mas não encontro nas mesmas estantes livros infantis nazistas?

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