PORQUE NÓIS NUM TÁ AQUI PRA SER LEGAL

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Você falou pra não arrastar...



“mundo mundo mundo são vários flashes
muleque ranhento, cresceu agora, só fala em cash”
SNJ




Você falou pra não arrastar...

“mundo mundo mundo são vários flashes
muleque ranhento, cresceu agora, só fala em cash”
SNJ

O quê falta ao Crioulo? Seriam neurônios ou falta de empatia pelo nosso povo?


Dá até raiva. Quem viu Sabotage, Racionais dos tempos do Pânico na Zona Sul, Clã Nordestino, Consciência Humana, SNJ, Filosofia de Rua, 509-E e tantos outros grupos de rap das antiga sofre ao perceber que as letras que nos narravam, nos davam voz, cronicavam nosso cotidiano, hoje ficaram reduzidas ao non sense das riminhas machistas, dos poeminhas-propagandas. Influenciados pelos movimentos de saraus, o rap não mais faz rimas, pretende-se poesia pura e aceita na academia.


Com raras excessões, em nome de uma tal de “Inovação”, essa senhora que ninguém nunca nem viu (afinal,  falar de dinheiro, mulher e treta não é novidade em música nenhuma, em lugar nenhum do mundo), temos hoje uma leva de rappers metido a artista, passeando em NY e proibidos de pisar na quebrada.  Uma leva de hiphopers que de vez em quando até tentam cantar temas relevantes pra favela, mas erram o alvo e emplacam na classe média com figuras e conceitos acertados, mas pouco conhecidos – e por isso pouco representativos de nós -, como Mariguella.


Mas, como dissemos, há excessões e louváveis. Não vamos citar todo mundo pra não cometer injustiças (e também pra deixar o povo pensar no tipo de música que vem fazendo... deixar a “pulga atrás da orelha...). O rap rústico, favela puríssima, do Cascão, Trilha Sonora do Gueto, cuja defesa do PCC faz, com absoluta certeza, a elite tremer; a doçura duríssima de Yzalú, as “Divas do Hip Hop”, Amanda Negrassim, Eduardo Facção Central e, ainda, SNJ cuja Balada de Sartana II resume e muito bem todo esse lodo internético com o qual nos misturamos:

“Uns viajam na balada outros tão loucos na pista.
Amotinados, não mais em frente da TV
no computador é o que se vê.”

Crioulo, querido, ao narrar a favela com tanto sensacionalismo, como se morássemos um uma grande biqueira, uma babel onde ninguém se entende, onde não existe camaradagem ((quem ri pra tu aqui quer ver tu cair”!?) conmo se e as ofertas de trabalho e o próprio trabalho executado por nós da favela fosse sempre ilícito... Quer dizer que aqui só existe o vapor, o campana e o gerente? Você se esqueceu que somos nós a classe trabalhadora?


Você falou pra não arrastar, mas quem arrastou foi você reforçando os piores esteriótipos sobre o povo pobre. Você falando assim, a polícia vem que vem. Feio é arrastar e nem perceber.

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