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domingo, 7 de fevereiro de 2016

O Comunismo, a Igrejinha e a Favela (os pobres)







a religião é o ópio do povo, o coração de um mundo sem coração”
Karl Marx


Sou eticamente cristão e teoricamente marxista”
Chico de Oliveira


O pensamento doutrinário marxista é, por diversas vezes tratado como religioso, pejorativamente chamado de “igrejinha”. Entretanto, contraditoriamente, o cristianismo tem tanto em comum com o comunismo pregado por Marx, quanto as igrejas atuais e os novos cristãos não têm.


O que é Cristo? Um pensamento ou uma pessoa? Um espírito ou a imagem de um senhor de cabelos e barbas longas?

Errou quem disse pessoa ou imagem de barbas e cabelos longos.

O que chamamos de cristianismo é determinado tipo de pensamento que segue numa direção coerente e deve ser reforçado por algumas ações específicas. Por isso não basta dizer-se cristão ou frequentar igrejas é preciso que o Cristão realize algumas ações e despreze outras (guiados por essa “coerência cristã”). E por mais que pareça difícil entender quais são as ações certas e quais as erradas (qual seria essa coerêcia), a sugestão deixada por Cristo de que nos amássemos uns aos outros explicita diretamente em que direção devemos ir: é preciso que observemos como estamos desenvolvendo o PERDÃO, a discussão da DESIGUALDADE SOCIAL e PESSOAL, a CRÍTICA POLÍTICA aos donos do poder político/econômico (cobradores de impostos) e a HIPOCRISIA (revelada quando Cristo pede que atire a primeira pedra aquele que nunca errou).
Qualquer pessoa séria que quiser discutir a vinda de Cristo à Terra deve entender que ele veio pra realizar severas mudanças no pensamento humano. E que o tipo de amor que ele pregava era diferente daquele amor que as famílias guardavam para seus descendentes ou ascendentes de mesmo sangue. O amor proposto por Cristo faria desaparecer as classes sociais, as raças e as fronteiras. Seria o encontro do gênero humano consigo mesmo, ou seja, um mundo eticamente cristão e economicamente comunista.
Então, pensando na possibilidade da união do gênero, podemos pensar que Cristo veio para todos? A resposta é sim. Veio para todos: para os pobres como bálsamo, para os ricos como exemplo. Ele não impediu que estes também pudessem segui-lo e ouvir seus conselhos (desde que se tornassem pobres). Sendo assim, podemos afirmar que Cristo veio sim apenas para os pobres (bem aventurados os pobres, que Roma transformou em: bem aventurados os pobres de espírito).
Agora que já entendemos que Cristo na verdade é um pensamento que, foi passado por meio de mensagens, parábolas e ensinamentos que sugerem AMOR e JUSTIÇA SOCIAL, pode-se alertar a maior parte dos cristãos de que eles não estão exercendo o pensamento cristão, mas exatamente seu contrário, isto é, estão propagando um discurso ANTICRISTO.
Como falamos no início, Cristo veio para mudar radicalmente o pensamento social. Por isso, se A/C os grandes líderes religiosos, como Davi e Salomão, acreditavam e executavam a riqueza material como sendo uma benção de Deus - o que supunha uma espécie de termômetro para sabermos quando um sujeito era ou não amado por Ele e, por isso possuiriam mantimentos, gado e até servos, com a chegada de Cristo é visível que que esse pensamento muda.
Os sujeitos apontados por Cristo como abençoados, passam a ser abençoados espiritual e não materialmente. Mas os pregadores atuais, num gesto de anticristianismo, insistem na teoria da prosperidade, seus conselhos só vão até o lalo concreto do materialismo, parecem até administradores de empresas ou médicos (só falam de dinheiro e doença), por isso não pescam almas, pescam pessoas. Na maior parte das vezes peixinhos financeiramente desprovidos ou psiquicamente doente. Mas não lhe ensinam nada no sentido de nos unirmos (comunismo) e vivermos apascentados como Cristo pediu três vezes a Pedro (Pedro, tu me amas? Apascenta a minha gente).



Sendo assim, quando reconhecemos um cristão? Quando o vemos entrando ou saindo de uma igreja (e pregando o olho por olho) ou quando, por meio de seus atos, encontramos perdão, solidariedade e amor ao próximo?


Antes de cristo o pensamento sobre o perdão de alguém que houvesse cometido uma infração era visto como algo absurdo, a “multidão” queria assistir em praça pública a crucificação de pessoas (cristãos, inclusive).

No velho testamento as famílias desenvolviam uma relação comercial que não dava espaço para o amor (mostrada desde Cain e Abel). Por isso, José foi vendido no egito e não são poucos os casos onde familiares agiam sem amor: as filhas de Abraão, por exemplo, aproveitando-se dele bêbado, dormiram com o pai, na intenção de ficarem grávidas. Noé almaldiçoa o filho Cam, por que o viu nu e riu dele – tem cabimento? – Davi manda um homem para morrer na guerra, para poder ficar com a viúva.

Assim, o comunismo tem tanta afinidade com o cristianismo primitivo, quanto as igrejas moderna com o capitalismo e a teoria da prosperidade.
Os primeiros vêem os pobres como seres humanos dignos. Os segundos enxergam os ricos da mesma forma (quanto mais bens, mais abençados, mais “de bem” seria a pessoa – e o inverso também é verdadeiro).
Sendo assim, o pensamento marxista deixa de ser “igrejinha”, pois estas últimas estão em lua de mel com o capitalismo, neo-liberalismo, meritocracia e criminalização da pobreza.

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