PORQUE NÓIS NUM TÁ AQUI PRA SER LEGAL

sábado, 17 de janeiro de 2015

Notícia de Israel


Notícia de Israel: Pra lembrar o treze de maio em que perdemos tantos meninos na rua dois

Ainda não esquecemos o Maio de 2006
 

(Panfleto contra todos os homens-blindados-que-cagam-ouro-na-minha-fome-e-na-fome-da-minha-família) 

 
 
I
Anteontem, em algum lugar sem passado, eu via uns rapazes negros, bonitos, pintas de rappers (entretanto dançavam as danças de roda). Tão iguais e diferentes dos que hoje morreram nas mãos da polícia. Dos que ontem mataram "os polícia".
Era dia das mães e os tiros entraram nos meus ouvidos ao mesmo tempo em que imagens da gente toda que eu conheço e confio me passava pelos olhos
e rezas – mais com o corpo que com a lógica – me pesavam por cada um deles. Desordenadamente.
Mas, ai, esqueci de alguns!!!
e três mães acordaram sem filhos.
nem dormiram – o que diz mais.
E eu não ouvi notícia em nenhum telejornal.
Em casa, a recomendação: Dinha, não sai de casa, nem volta de madrugada que a polícia tá matando todo mundo.

II
Quem começou essa briga?
Quem está brigando com quem?
"Quem é marginal?
Quem é a lei?".
Polícia contra bandido?
Ou fardados contra sem farda? Como o jogo de "solteiro e casado", no primeiro dia do ano?
Bandido contra bandido.
Israel no meio, às onze e vinte da noite, voltando pra casa da mãe.
Explorado contra explorado.
III
Me mandem matar a polícia!
Eu vou, se isso trouxer
Israel,
Sandro,
Aristides,
Luciano,
Márcio,
Cometa,
Buiú
(toda a família de Elisângela)
Edmarcos e
Hilário
(toda os mortos dos CEDECAS)
de volta.
Me mandem matar os bandidos!
Eu vou, se me deixarem
matar todos os homens-blindados-que-cagam-ouro-na-minha-fome-e-na-fome-da-minha-família.

Eu mataria capitães do mato
Se eles não fossem de fato
Tão vítimas como são vítimas:
Os policiais fardados,
Os meninos sem camisa,
A mulher de volta pra casa,
Israel, no colo da mãe.

O fuzil de minha palavra
Precisa estar voltado
Pra verdadeira revolução.

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