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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

LITERATURA MARGINAL




Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de Março de 1914 em Sacramento, estado de Minas Gerais, cidade onde viveu sua infância e adolescência. Faleceu em 13 de Fevereiro de 1977, com 62 anos de idade.
Moradora da extinta Favela do Canindé, Carolina não apenas antecedeu – nos seus temas, linguagem e com sua própria condição de mulher negra e pobre - a grande leva de escritores e escritoras nas periferias brasileiras, como antecedeu também a triste moda atual de valorização da pobreza. Seu primeiro livro, escrito a partir de um diário, vendeu todos os dez mil exemplares da tiragem inicial em apenas uma semana, e foi traduzido para outros 13 idiomas.
Carolina, apesar de não se mostrar muito solidária aos seus vizinhos, companheiros de miséria, ela tem o respeito e a solidariedade da parte leitora da periferia. É que – além de conseguir uma escrita envolvente em seu singelo diário – os pobres encontram nela a imagem das mães pretas (todas as mães negras cujos filhos partiram), lutando para proteger e alimentar as crias, lutando para garantir aos filhos e a si mesma um lugar digno, bonito, ao sol. A esta solidariedade, alguns chamam de “consciência de classe”.
Seu “Quarto de despejo”, com seus milhares de exemplares vendidos, é um exemplo óbvio do que Walter Benjamin chamou de “transformação da miséria em objeto de fruição e consumo”. Infelizmente, prosseguimos nos mesmos trilhos.

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