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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

LITERATURA PERIFÉRICA

Literatura, Favela e Senso Comum

Todos temos visto o surto literário que vem tomando as periferias de São Paulo, nos últimos tempos. Começou timidamente com os fanzines e pequenos saraus e cresceu até que nós tivéssemos - se não nossas próprias editoras - nossos próprios selos literários.
Com o crescimento dos saraus, a influência gigante do Hip Hop, os blogs e as publicações independentes, esse surto só tende a crescer.
Entretanto, esse surto trouxe à tona um problema que atinge também nós, autores e autoras da literatura periférica: trata-se da "síndrome do academicismo", que se manifesta, na maioria das vezes, ou como uma recusa (preguiçosa ou revoltada) em ler os clássicos da nossa literatura e crítica literária, ou como imitação sem graça ou critério.
A falta de graça dessas obras não chega a ser um problema sério dessa literatura - já que, nesse caso, o máximo que pode acontecer é o texto não obter sucesso de público. Mas do ponto de vista social, essa falta de critério é sim um grave  problema, pois tem como resultado, muitas vezes, textos neoliberais que depõem contra o nosso povo.
O que queremos e precisamos é de livros, nesses tempos adoecidos, que tragam uma literatura carregada de experiência e lirismo onde todos nos reconheçamos. De textos onde a nossa periferia se encontre e se reconheça e que fortaleçam nossa criticidade e desejo de nos colocarmos a favor das mudanças necessárias.
Precisamos de projetos político-literários coerentes, com bases sólidas e transformadoras.
Para tanto, noss@s poetas e ficcionistas precisam se libertar do senso comum. Deixar de acreditar, por exemplo que o tráfico seja o principal problema do mundo. Precisamos, antes de tudo, nos vermos como trabalhadores e trabalhadoras, geradores da maior parte dos valores do nosso país.
Precisamos questionar mitos e conceitos preestabelecidos.

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