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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Mar Burguês. Será que o mar é salgado?



Pra meu amor.

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Todo mundo já sabe: deu feriado prolongado a classe média e a burguesia desce a serra, pisa a areia e vai se livrar da uruca, do perrengue financeiro, das crises existenciais e de relacionamento tomando banho de mar. Se calhar cabe ainda um petisco, uma cerveja, uma ida ao Shopping e talvez até continuar comendo em restaurantes.

Enquanto isso, entre os pobres é comum pessoas que nunca conheceram o mar. Aquele marzão sem fim, com cheiro de sal e mariscos – quando não esgoto e peixe podre, é um velho desconhecido de tantas pessoas que esse fato nem deveria causar constrangimentos.

Mas causa.

A privação do conhecimento e a insegurança de não ter o que contar, como quando éramos crianças, nos fazem perguntar... será salgado mesmo???

A simplicidade, a ingenuidade da pergunta, por vezes, me faz desabar.

Aquele marzão é feito de lágrimas, pai, mãe.

Aquele marzão é feito de nossas lágrimas.

Lágrimas de classe.

Trabalho de nossa classe.

Privação.

Saudade.


Parodiando Fernando Pessoa, eu diria:


Mar burguês 




Até ficar bom pra tod@s

Não tá bom pra ninguém não
Ferréz



Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas do meu quintal!?
Para os burgueses se banharem, quantas nanás choraram,
Quantos meninos em vão rezaram!?

Quantas pessoas ficaram por casar
Para que fosses deles, ó mar!?
Valeu a pena? Nada vale a pena
Se a classe não é serena.

Se querem passar além do Riacho
Têm que pagar mais que pedágio.
Deus a nóis o perigo e o abismo deu,
Mas neles não espelhou o céu.









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